{"id":5022,"date":"2015-05-24T13:41:06","date_gmt":"2015-05-24T16:41:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022"},"modified":"2019-11-20T10:52:10","modified_gmt":"2019-11-20T13:52:10","slug":"brasil-a-crisis-da-hegemonia-lulista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022","title":{"rendered":"Brasil: A crisis da hegemonia lulista"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong> A natureza do lulismo: da revolu\u00e7\u00e3o passiva \u00e0 frente popular<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As principais correntes de opini\u00e3o apresentam formula\u00e7\u00f5es distintas sobre os governos petistas. Nossoobjetivo \u00e9 encontrar uma chave anal\u00edtica que permita construir uma caracteriza\u00e7\u00e3o mais totalizante, que passe pela governabilidade, e o fator social, pelas movimenta\u00e7\u00f5es da superestrutura a base da sociedade, fazendo todas as media\u00e7oes possiveis entre historia, pr\u00e1ticas e objetivos deste, organismo chamado <em>Lulismo.<\/em> A partir da elei\u00e7\u00e3o de Lula em 2002 esfor\u00e7os interpretativos tem sido desenvolvidos e ap\u00f3s 12 anos \u00e0 frente da administra\u00e7\u00e3o central ainda se debate a natureza dos governos petistas.<\/p>\n<p>Os dois mandatos de Lula e o primeiro de Dilma &#8211; at\u00e9 Junho de 2013 &#8211; foram marcados por grande estabilidade pol\u00edtica, a reelei\u00e7\u00e3o de Lula em 2006 ocorre a partir de um realinhamento no qual os setores mais pauperizados da classe trabalhadora rompem com os partidos tradicionais e passam a votar no PT e durante um per\u00edodo o crescimento econ\u00f4mico capitalista e o consumo de massa permitiu ao PT a constru\u00e7\u00e3o da ideologia de que mais de 30 milh\u00f5es de pessoas haviam entrado para a classe m\u00e9dia, fal\u00e1cia que n\u00e3o demorou para ser desmascarada pelos analistas s\u00e9rios, pela crise econ\u00f4mica mundial e pela luta de classes no final do primeiro mandato de Dilma.<\/p>\n<p>Iremos trabalhar sobre a do <em>lulismo <\/em>em duas grandes vertentes. Na primeira o governo surge como fen\u00f4meno progressista e na segunda o <em>lulismo <\/em>como um fen\u00f4meno regressivo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.1 O <em>lulismo <\/em>como um fen\u00f4meno progressista<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.1.1 O p\u00f3s-neoliberalismo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vamos come\u00e7ar apresentando elabora\u00e7\u00f5es n\u00e3o-cr\u00edticas, as que notadamente buscam justificar as pol\u00edticas do governo a partir de chaves como p\u00f3s-neoliberalismo (Emir Sader) ou reformismo fraco (Andr\u00e9 Singer). Para o primeiro autor, as pol\u00edticas do PT teriam superado as orienta\u00e7\u00f5es neoliberais e para o segundo, o <em>lulismo<\/em> seria um reformismo fraco porque o <em>subproletariado<\/em> que deu a vit\u00f3ria a Lula em 2006 seria avesso a enfrentamentos com a ordem.<\/p>\n<p>Para Sader \u201cos governos de Lula e Dilma podem ser caracterizados como p\u00f3s-neoliberais, pelos elementos centrais de ruptura com o modelo neoliberal &#8211; de Collor, Itamar e FHC &#8211; e pelos elementos que tem em comum com outros governos da regi\u00e3o, como os Kirchners na Argentina, da Frente Ampla no Uruguai, de Hugo Ch\u00e1vez na Venezuelea, de Evo Morales na Bol\u00edvia e de Rafael Correa no Equador\u201d (<em>Lula e Dilma<\/em>, Boitempo, 2013: 138). Os governos da Am\u00e9rica Latina citados podem de fato ser considerados como uma descontinuidade com o neoliberalismo puro e duro implementado na regi\u00e3o durante os anos 1990 a partir de uma ruptura imposta pelo movimento de massas, o que de conjunto os faz guardar imensa dist\u00e2ncia com o <em>lulismo<\/em> no Brasil.<\/p>\n<p>Para efeito de esclarecimento, o governo de Evo Morales teve no seu in\u00edcio caracter\u00edsticas de governo de <em>Frente Popular<\/em> pois foi composto no calor de um tremendo popular que derrubou governos, mudou drasticamente politicas econ\u00f4micas e imp\u00f4s um governo de coaliza\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel com o Movimento ao Socialismo que era dirigido por Morales no seu centro. J\u00e1 o processo venezuelano tem caracter\u00edsticas um tanto diferentes pois, al\u00e9m do elemento comum da onda de indigna\u00e7\u00e3o popular que o antecedeu e da instabilidade, Ch\u00e1vez aparece desde o in\u00edcio muito mais como figura bonapartista do que Morales.<\/p>\n<p>Em todos os pa\u00edses citados por Sader a forma\u00e7\u00e3o dos governos foi antecedida por rebeli\u00f5es populares que desestabilizaram por completo o cen\u00e1rio pol\u00edtico e formaram governos que na sua maioria conviveram desde o in\u00edcio com instabilidade decorrentes da press\u00e3o pol\u00edtica exercida diretamente pela luta de classes. E este definitavamente n\u00e3o foi o processo pelo qual o <em>lulismo<\/em> chegou ao governo federal. No Brasil n\u00e3o vivemos uma rebeli\u00e3o popular que precedeu as elei\u00e7\u00f5es de 2002 e, apesar da CUT ocupar um espa\u00e7o importante no governo, n\u00e3o convivemos com instabilidade decorrente do choque direto entre as classes sociais trabalhadores x patroes.<\/p>\n<p>Sader atribui a <em>hegemonia lulista<\/em> as suas qualidades enquanto lideran\u00e7a pol\u00edtica, a sua intui\u00e7\u00e3o e o pragmatismo de Lula, pois \u201ccombinou estabilidade monet\u00e1ria e retomada do desenvolvimento econ\u00f4mico e pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o de renda, que assumiu centralidade nas pol\u00edticas do governo. Essa combina\u00e7\u00e3o \u00e9 a chave do enigma Lula\u201d (\u00eddem: 139). O relato apresentado parece, \u00e0 primeira vista, razo\u00e1vel, por\u00e9m apresenta muitas porosidades. A domina\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o tem no carisma de lula um componente importante de ligamento por\u00e9m n\u00e3o poderia se sustentar sem o consentimento (apoio) ativo de setores da classe dominante, da burocracia sindical e dos setores mais empobrecidos da classe trabalhadora que passam a votar em lula a partir de 2006.<\/p>\n<p>Essa forma de hegemonia seria um p\u00f3s-neoliberalismo devido a \u201cdecis\u00e3o do governo de priorizar as pol\u00edticas sociais e a reinser\u00e7\u00e3o internacional do Brasil. O primeiro aspecto mudou a fisionomia social do pa\u00eds, o segundo, nosso lugar no mundo. A crise de 2008 consolidou o papel ativo do Estado, da indsustria com pol\u00edtica antic\u00edclicas, que permitiram resistir os influxos recessivos que vieram dos pa\u00edses do centro do sistema\u201d (\u00eddem: 141). O autor apresenta orienta\u00e7\u00f5es comuns a todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que teriam rompido com o neoliberalismo, essas orienta\u00e7\u00f5es estariam baseadas nas seguintes prioridades: pol\u00edticas sociais e n\u00e3o o ajuste fiscal; processos de integra\u00e7\u00e3o regional e o papel do estado como indutor do crescimento econ\u00f4mico e distribui\u00e7\u00e3o de renda. A lista de itens apresentada pelo autor que teria concretizado a ruptura constitu\u00eddo o p\u00f3s-neoliberalismo na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Nos limites deste texto n\u00e3o podemos nos debru\u00e7ar sobre as pol\u00edticas dos governos latino-americanos na \u00faltima d\u00e9cada, isto seria objeto de outro trabalho, por\u00e9m podemos verificar se essas prioridades se aplicam ao <em>pacto lulista. No entanto, <\/em>pensamos que nenhuma destas supostas prioridades se aplica ao Brasil.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, uma das primeiras medidas de Lula foi aplicar um ajuste fiscal, aumentar a taxa de juros e depois realizar a contrarreforma da previd\u00eancia, tudo isso somente no primeiro mandato. Depois se apoiando no boom das commodities e, portanto, crescimento economico ampliou as pol\u00edticas de compensa\u00e7\u00e3o social. Dilma no seu primeiro mandato recuou rapidamente diante da grita do capital quanto sinalizou politicas de indu\u00e7\u00e3o da economia pelo estado, agora no segundo mandato quer impor um duro ajuste fiscal que tem como alvo direitos dos trabalhadores e investimentos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Que a fisionomia social do pa\u00eds tenha mudado durante os governos lulistas \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o que merece ser analisada, pois as politicados do governo conseguiram reduzir durante um per\u00edodo pobreza monet\u00e1ria de parte da popula\u00e7\u00e3o, mas isso est\u00e1 longe de significar a eclos\u00e3o de uma nova classe social ou uma nova classe m\u00e9dia (Pochmann, 2012). Por outro lado, apesar da renda do trabalho ter alcan\u00e7ado uma porcentagem maior em rela\u00e7\u00e3o a renda total do pais, n\u00e3o significa a redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social mas sim que mais trabalhadores ingressaram oficialmente no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Sobre as condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e transporte nenhum indica mudan\u00e7a significativa. A resposta ao agravamento da crise economica \u00e9 guiada pelas diretrizes do neoliberalismo \u00e0 medida em que Dilma responde com a mais dura receita neoliberal: aumento da taxa de juros, ajuste fiscal, redu\u00e7\u00e3o de direitos e demiss\u00e3o. Podemos chegar \u00e0 conclus\u00e3o que as pol\u00edticas sociais do <em>lulismo, <\/em>com Lula ou com Dilma, na verdade n\u00e3o s\u00e3o as pol\u00edticas priorit\u00e1rias desta forma\u00e7\u00e3o governamental, ou seja, mais se assemelham como ap\u00eandices das grandes coordenadas macroecon\u00f4micas ditadas pelo neoliberalismo que diante de qualquer crise &#8211; econ\u00f4mica ou pol\u00edtica- passam imediatamente para o terceiro plano. Assim caracterizar as diretrizes desses governos como de continuidade do neoliberalismo acopladas a pol\u00edticas sociais ampliadas e focadas nos setores mais pobres parece atender de forma mais precisa o que se estabeleceu no Brasil a partir de 2002.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>4.1.2 O <em>governo em disputa<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante anos se discutiu internamente no PT e na CUT a possibilidade de disputar a dire\u00e7\u00e3o do partido com as correntes majorit\u00e1rias para que pudesse voltar ao seu car\u00e1ter original e para uma linha de classe. Estas correntes em uma opera\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica que n\u00e3o se sustenta em dado algum da realidade passam a afirmar que os governos petistas a partir da elei\u00e7\u00e3o de Lula em 2002 tamb\u00e9m s\u00e3o <em>governos em disputa<\/em>.<\/p>\n<p>A caracteriza\u00e7\u00e3o de que nestes governos a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pode ser disputada pelo movimento social \u00e9 defendida por correntes internas do PT, como O Trabalho (corrente lambertista), Democracia Socialista (corrente mandelista) Esquerda Marxista (ruptura do O Trabalho) e dirigentes de movimentos sociais, como o MST.<\/p>\n<p>Essa caracteriza\u00e7\u00e3o \u00e9 um exemplo de teoria-justifica\u00e7\u00e3o. Para se manter no interior do partido com apar\u00eancia de esquerda e a d\u00e9cadas afirmam que a dire\u00e7\u00e3o do PT pode ser disputada pela esquerda. Essa caracteriza\u00e7\u00e3o tem como fundamento por um lado, a total adapta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a fen\u00f4menos progressistas e partir da\u00ed a constru\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia material destas correntes aos aparatos e ao estado. Nessa tese Lula\/Dilma s\u00f3 n\u00e3o foram mais \u00e0 esquerda porque faltou ao PT e ao movimento de massas for\u00e7a para empurra-lo (sic). Essa inaquedritavel caracteriza\u00e7\u00e3o por quest\u00f5es de depend\u00eancia material e decad\u00eancia pol\u00edtica ainda continua figurando como justifica\u00e7\u00e3o da sistem\u00e1tica capitula\u00e7\u00e3o ao governo, vide a pol\u00edtica que teve o MTST em S\u00e3o Paulo as v\u00e9speras da abertura da copa do mundo.<\/p>\n<p>A postura capituladora da \u201cesquerda petista\u201d (DS e O Trabalho) n\u00e3o \u00e9 exatamente uma novidade. Historicamente sempre capitularam politicamente as dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas do movimento a partir de fen\u00f4menos, foi assim em todos os processos revolucion\u00e1rios e de ruptura. Estas correntes capitularam politicamente a todas dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas que se colocavam na frente de processos pol\u00edticos importantes no p\u00f3s-guerra pos consideraram-nas revolucion\u00e1rias, o que gerou por parte destas correntes uma linha <em>seguidista <\/em>em alguns casos, como o do PT no Brasil, dilui\u00e7\u00e3o em seu interior, exemplo da DS, e depend\u00eancia quase que total \u00e0 estrutura burocr\u00e1tica, como \u00e9 o caso do O Trabalho.<\/p>\n<p>Uma demonstra\u00e7\u00e3o que a dire\u00e7\u00e3o deste movimento continua operando com a mesma caracteriza\u00e7\u00e3o foi a fala do grande dirigente do MST em um evento em defesa de Dilma no Rio Grande do Sul ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es massivas pelo seu impeachment no dia 15 de mar\u00e7o. St\u00e9dile em seu discurso contra o impeachment afirma categoricamente que o ataque ao governo \u00e9 um ataque direta ao povo brasileiro e ao movimento, chama o governo a discutir as medidas econ\u00f4micas e para ir para rua \u201ccompanheira Dilma, n\u00e3o se assuste. Deixe o (Miguel) Rossetto cuidando do Pal\u00e1cio e venha para as ruas, que \u00e9 onde vamos derrotar a direita e seu plano diab\u00f3lico.\u201d Assim, a caracteriza\u00e7\u00e3o de \u201cgoverno em disputa\u201d \u00e9 o que se denomina como teoria-justifica\u00e7\u00e3o, uma opera\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica que tem como objetivo n\u00e3o revelar o <em>real<\/em> mas justificar uma posi\u00e7\u00e3o indefens\u00e1vel pol\u00edtica indefens\u00e1vel. A chamada \u201cesquerda petista\u201d nunca deu uma batalha real contra a dire\u00e7\u00e3o destes aparatos, sempre capitulou as pol\u00edticas da maioria da dire\u00e7\u00e3o sem dar uma verdadeira batalha pol\u00edtica, isso porque desde cedo condicionou a sua exist\u00eancia material e pol\u00edtica ao aparato partid\u00e1rio e sindical.<\/p>\n<p>J\u00e1 a dire\u00e7\u00e3o de importantes movimentos corporativos como o MST tem outras determina\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para sustentar essa a caracteriza\u00e7\u00e3o de que o governo est\u00e1 em disputa. A queda do Muro de Berlin acabou quase que por completo com a perspectiva de uma transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social profunda, ou seja, revolucion\u00e1ria. A partir da\u00ed, a dire\u00e7\u00e3o destes movimentos ao inv\u00e9s de a partir de um balan\u00e7o das experi\u00eancias hist\u00f3ricas das revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX e da necessidade de construir uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o socialista elaboram que governos progressistas e at\u00e9 o Estado burgu\u00eas s\u00e3o espa\u00e7os de disputa para o atendimento de suas demandas especificas (Ram\u00edrez, 2004).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.1.4 O reformismo fraco <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do campo que podemos considerar como n\u00e3o-cr\u00edtico temos Andr\u00e9 Singer como um dos principais formuladores. Para esse autor, o <em>lulismo<\/em> seria uma esp\u00e9cie de <em>varguismo<\/em> que atrav\u00e9s da industrializa\u00e7\u00e3o teria integrado os migrantes camponeses \u00e0 classe trabalhadora urbana. Isso seria poss\u00edvel pelo realinhamento pol\u00edtico no qual o <em>subproletariado<\/em>, cerca de 40 milh\u00f5es de pessoas, teria se inclinado eleitoralmente para eleger Lula a partir de 2006. Esse realinhamento pol\u00edtico foi o que permitiu que pol\u00edticas de combate \u00e0 pobreza e a desigualdade pudessem ser desenvolvidas de maneira ampla e prolongada durante os dois mandatos de Lula.<\/p>\n<p>O <em>lulismo<\/em> seria uma <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva.<\/em> Um fen\u00f4meno amb\u00edguo, em que a estabilidade econ\u00f4mica tem reservada no interior do governo o mesmo espa\u00e7o com pol\u00edticas de distribui\u00e7\u00e3o de renda. Assim, o \u201crealinhamento eleitoral\u201d que contou com o apoio massivo do <em>subproletariado<\/em> a partir de 2006 determinaria o grau de sua pol\u00edtica reformista (reformismo fraco), pois este grupo social seria avesso ao enfrentamento com o capital. O realinhamento pol\u00edtico eleitoral foi poss\u00edvel porque Lula proporcionou o que o <em>subproletariado<\/em> sempre desejou, \u201cum Estado suficientemente forte para diminuir a desigualdade sem amea\u00e7a \u00e0 ordem estabelecida\u201d (<em>Os sentidos do lulismo<\/em>. Andr\u00e9 Singer. Companheia das Letras, 2012: 52). Essa \u00e9 a tese forte do autor, o <em>lulismo<\/em> \u00e9 a nova representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de uma parte do proletariado que ontologicamente seria reformista, pois nunca ter\u00e1 como perspectiva da transforma\u00e7\u00e3o pelo conflito de classes. Fen\u00f4meno ocorrido a partir de 2006, quando os mais pobres passam a votar em Lula, significou uma politiza\u00e7\u00e3o pela separa\u00e7\u00e3o entre ricos e pobres. Mas, segundo os mesmos dados que levanta o autor e os dados da \u00faltima elei\u00e7\u00e3o n\u00e3o se pode dizer que o montante total da chamada classe m\u00e9dia n\u00e3o vote em Lula, ou que todos os pobres n\u00e3o votem na oposi\u00e7\u00e3o tucana.<\/p>\n<p>H\u00e1 outra premissa problem\u00e1tica que permeia toda a an\u00e1lise do autor. A de que o <em>subproletariado <\/em>teria como perspectiva pol\u00edtica estrutural a n\u00e3o confronta\u00e7\u00e3o com o capital. Segundo Singer, Lula foi eleito para aplicar um programa de combate \u00e0 pobreza sem que isso significasse um confronto com o capital. Ao relatar o lento realinhamento pol\u00edtico o autor se trai pois desconsidera que a fra\u00e7\u00e3o mais pobre da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea, \u00e9 composta de subtra\u00e7\u00f5es que tem comportamentos distintos, podem ser parte da organiza\u00e7\u00e3o dos movimentos populares na cidade e no campo e assumirem posi\u00e7\u00f5es de enfrentamento direito \u00e0 repress\u00e3o, como foi Junho de 2013, ou podem ser base eleitoral para a oligarquia pol\u00edtica, como foi em parte nas elei\u00e7oes de 2014.<\/p>\n<p>Singer apresenta o <em>subproletariado<\/em> como um setor que tem uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica voltada para a constru\u00e7\u00e3o de um Estado que atenda \u00e0s suas reivindica\u00e7\u00f5es sem que para isso se indisponha com a ordem estabelecida. Assim, o esse setor que viu em Lula o \u201cinventor\u201d de um estado que atendesse os mais pobres sem enfrentar o capital \u201cdeu-lhe suporte para avan\u00e7ar, acelerando o crescimento com redu\u00e7\u00e3o da desigualdade no segundo mandato, e, assim, garantindo a vit\u00f3ria de Dilma em 2010 e a continuidade do projeto ao menos at\u00e9 2014\u201d (\u00eddem: 21). Segundo o ator, pela condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e social desse setor, a exemplo dos camponeses, n\u00e3o tem homogeneidade social para construir ideologia e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas pr\u00f3prias que representem os seus interesses, mas da\u00ed inferir que tem como estrat\u00e9gia o estabelecimento de uma pol\u00edtica de concep\u00e7\u00f5es sem enfrentamento \u00e0 ordem.<\/p>\n<p>Essa constru\u00e7\u00e3o na qual a fra\u00e7\u00e3o mais pobre, prec\u00e1ria, vulner\u00e1vel da classe trabalhadora tem uma psicologia pol\u00edtica pac\u00edfica precisa ser desmistificada, pois \u00e9 sobre ela que se assenta todo o edif\u00edcio que d\u00e1 justifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica para o governo. A conclus\u00e3o pol\u00edtica de Singer se assenta na ideia de que o capitalismo brasileiro tem na pobreza de um grande contingente de trabalhadores o principal entrave para o seu desenvolvimento. Para que possamos desenvolver o pa\u00eds autonomamente \u00e9 preciso superar a condi\u00e7\u00e3o de empobrecimento do proletariado, pois \u201ca mis\u00e9ria anulava a possibilidade de surgir um setor industrial voltado para o mercado interno\u201d (\u00eddem: 18). Ent\u00e3o se tivermos um mercado interno consumidor podemos desenvolver uma produ\u00e7\u00e3o com maior valor agregado e assim diminuir ou acabar com o capitalismo dependente no Brasil. Dentro dessa perspectiva nacional-desenvolvimentista &#8211; da qual n\u00e3o compartilhamos &#8211; n\u00e3o parece que a quest\u00e3o se resolve de maneira satisfat\u00f3ria. Pois \u00e9 como se pud\u00e9ssemos superar a forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social sem romper com os elementos estruturais do capitalismo local.<\/p>\n<p>Para o autor esse realinhamento eleitoral pode estabelecer uma perspectiva de transforma\u00e7\u00e3o radical da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social do pa\u00eds, outro lugar na divis\u00e3o internacional do trabalho, uma melhora estrutural das condi\u00e7\u00f5es de vida das massas. Assim \u201co sonho rooseveltiano tornar-se-\u00e1 regulat\u00f3rio da pol\u00edtica brasileira por per\u00edodo extenso\u201d (\u00eddem: 126). N\u00e3o podemos concordar que as pol\u00edticas de bolsa tenham resolvido essa quest\u00e3o e nem aberto o caminho para uma solu\u00e7\u00e3o estrutral. Pelo contr\u00e1rio, essas pol\u00edticas se n\u00e3o superadas podem significar a perpetua\u00e7\u00e3o dessa condi\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Singer tamb\u00e9m quer sustentar que a partir do governo Lula se estabeleceu uma polariza\u00e7\u00e3o entre ricos e pobres, pois n\u00e3o se pode dizer que as pol\u00edticas desse governo s\u00e3o continuidade das pol\u00edticas sociais desenvolvida pelos governos tucanos anteriores. Mas, a nosso ver n\u00e3o parece que essa seja uma polariza\u00e7\u00e3o que se sustente perante as pol\u00edticas &#8211; processo de privatiza\u00e7\u00e3o dos portos, aeroportos, PPPs e outras &#8211; adotadas pelos sucessivos governo petistas.Claro que os eleitores de Lula e agora Dilma tem na mem\u00f3ria &#8211; ou na transmiss\u00e3o desta pela propaganda governamental &#8211; o neoliberalismo puro e duro da era FHC e n\u00e3o querem abrir m\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas sociais e de acesso ao cr\u00e9dito experimentadas nos \u00faltimos doze anos, mas isso est\u00e1 longe de opor estatistas de defensores das solu\u00e7\u00f5es mercantis.<\/p>\n<p>O autor ao descrever essas medidas e sua correspond\u00eancia ideol\u00f3gica realiza uma troca de sujeitos, pois ao falar dessas medidas como deveria dizer que foram sim as que serviram para ganhar a confian\u00e7a de setores da classe dominante. Mas n\u00e3o como se Lula tivesse usada pol\u00edticas neoliberais como um <em>jogo de cena<\/em> para iludir a classe dominante para com isso criar condi\u00e7\u00f5es para desenvolver pol\u00edticas a favor dos pobres sem se enfrentar com o capital. Ou seja, o programa do subproletariado seria o de garantir uma lucratividade ao capital financeiro e \u00e0s transnacionais nunca antes vista em troca de pol\u00edticas que n\u00e3o passam de paliativos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n<p>O autor n\u00e3o se det\u00e9m em identificar esse setor como fundamental na composi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que est\u00e1 a frente do governo devido a sua capacidade de definir pleitos eleitorais, afirma que o subproletariado teria influ\u00eancia decisiva na luta de classes. Aqui temos um malabarismo pol\u00edtico que precisamos descortinar, pois o autor faz uma extens\u00e3o descabida da import\u00e2ncia pol\u00edtica do subproletariado, transforma o volume eleitoral desse setor mecanicamente em capacidade de definir a luta de classes. A caracteriza\u00e7\u00e3o que arredonda esse corpo anal\u00edtico \u00e9 que o lulismo a partir da sua \u201cvirada program\u00e1tica que come\u00e7ara em 2002\u201d &#8211; ponto b\u00e1sico de an\u00e1lise que coincide com a an\u00e1lise empreendida quando afirma que Lula havia tra\u00eddo os trabalhadores ao imprimir contrarreformas &#8211; constituir um governo que arbitre entre as classes e que se caracterize por um \u201creformismo fraco\u201d.<\/p>\n<p>Ao conquistar o apoio da massa de trabalhadores pauperizados Singer(2012) compara Lula com Luis Bonaparte ao conquistar o apoio dos camponeses em 1848. Para Singer o governo a partir do ponto de vista da sua base de sustenta\u00e7\u00e3o realiza uma arbitragem entre as classes de acordo com a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as de cada momento, ora aplica pol\u00edticas conservadoras, ora pol\u00edticas progressivas. O que n\u00e3o diz \u00e9 que al\u00e9m do <em>subproletariado <\/em>ter sido conquistado como base pol\u00edtica eleitoral (parte do consentimento passivo) do <em>lulismo <\/em>a partir de 2006, h\u00e1 outra base pol\u00edtica &#8211; a classe dominante &#8211; que tem muito claro ideologicamente porque apoia o governo. Tamb\u00e9m escapa a esse esquema interpretativo que houve outras contrarreformas neoliberais no governo Lula como a reforma da previdencia e outras s\u00f3 n\u00e3o foram levadas a cabo porque o esc\u00e2ndalo do mensal\u00e3o colocou o governo na defensiva, o mesmo vem acontecendo no atual governo Dilma.<\/p>\n<p>Para Singer o <em>lulismo<\/em> se configura em uma hegemonia baseada na arbitragem entre as classes sociais na qual existe equil\u00edbrio entre as partes e nenhuma delas tem condi\u00e7\u00f5es de impor suas \u201csolu\u00e7\u00f5es\u201d. O efeito embelezador da interpreta\u00e7\u00e3o do <em>lulismo <\/em>\u00e9 bastante consider\u00e1vel. \u00c9 fato que as pol\u00edticas do governo significaram em um cen\u00e1rio de crescimento econ\u00f4mico a redu\u00e7\u00e3o da pobreza absoluta, por\u00e9m dizer que houve uma redu\u00e7\u00e3o da desigualdade.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese de que o <em>lulismo <\/em>\u00e9 um reformismo fraco exige uma discuss\u00e3o sobre o conceito reforma. Para o autor o \u201creformismo fraco\u201d deste governo se n\u00e3o empata a explora\u00e7\u00e3o capitalista, ou seja, o \u201cmoinho dial\u00f3lico\u201d atua para ameniza-lo. Um reformismo que se coloca a favor dos trabalhadores, um processo progressista mas lento. E n\u00e3o poderia ser de outra forma, uma vez que o setor que d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o ao governo. Singer n\u00e3o incorpora a sua an\u00e1lise que a maior parte dos empregos conquistados est\u00e3o na base da pir\u00e2mide salarial, e s\u00e3o prec\u00e1rios. Confunde assim o realinhamento eleitoral do setor mais empobrecido da classe trabalhadora com pertencimento org\u00e2nico.<\/p>\n<p>Para o autor o <em>lulismo <\/em>seria a frui\u00e7\u00e3o do reino da ambiguidade onde politicas dispares convivem harmonicamente, \u201cpagam-se altos juros aos donos do dinheiro e ao mesmo tempo aumenta-se a transfer\u00eancia de renda para os mais pobres. Remunera-se o capital especulativo internacional e se subestimam as empresas industriais prejudicadas pelo c\u00e2mbio sobrevaloriazado. Aumenta-se o sal\u00e1rio m\u00ednimo e se cont\u00e9m o aumento de pre\u00e7os com produtos importados. Financia-se, simultaneamente, o agroneg\u00f3cio e a agricultura familiar\u201d (\u00eddem: 202). Essa essa analise peca pela total falta de propor\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edticas que beneficiam o capital e as que as beneficiam a classe trabalhadora.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.2 As abordagens cr\u00edticas <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agora trataremos de apresentar as caracteriza\u00e7\u00f5es do lulismo como fen\u00f4meno politico regressivo. Nesta perspectiva vamos nos deparar com a formula\u00e7\u00e3o de que o lulismo seria uma forma de hegemonia que se assemelharia a um <em>frente popula<\/em>, uma <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva<\/em> ou uma <em>hegemonia da pequena politica<\/em>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.2.1 O governo de <em>frente popular<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A caracteriza\u00e7\u00e3o de governo de frente popular feito por alguns setores da esquerda, notadamente pelo PSTU, a partir dessa d\u00e9cada e meia de experi\u00eancia n\u00e3o resistiu ao tempo e muito menos \u00e0 realidade. No entanto, este pode n\u00e3o \u00e9 um problema de espa\u00e7o tempo, na medida que setor mant\u00e9m praticamente a mesma caracteriza\u00e7\u00e3o apesar de toda o material para a an\u00e1lise pol\u00edtica de que dispomos, mas n\u00e3o s\u00f3, tem haver com erros te\u00f3ricos seguidos em varios momento e acontecimento historicos vide a caracteriza\u00e7\u00e3o sobre Cuba, ou mais recente a Croacia.<\/p>\n<p>Caracterizar o governo lula como um governo reformista sem reformas, ou de frente popular, a nosso ver \u00e9 um equ\u00edvoco pois implica na forma de combate ao governo e na organiza\u00e7\u00e3o da classe em rela\u00e7\u00e3o a ele. Valerio Arcary (militante do PSTU) afirma que Lula \u201cfoi um governo quase sem reformas progressivas e muitas reformas reacion\u00e1rias, por\u00e9m, com uma governabilidade maior que seus antecessores\u201d (<em>Um reformismo quase sem reformas<\/em>, Val\u00e9rio Arcary. Sundermann, 2011: 17). Nesse balan\u00e7o entre contrarreformas e reformas do autor, sem preju\u00edzo das contradi\u00e7\u00f5es e totalidade, qual \u00e9 o signo que predomina? \u00c9 verdade que esse governo teve mais governabilidade que governos burgueses anteriores, como FHC, por exemplo, mas esse elemento n\u00e3o pode determinar o seu perfil pol\u00edtico ou car\u00e1ter de classe. Governos burgueses autorit\u00e1rios ou mesmo reacion\u00e1rios experimentaram durante per\u00edodos relativamente longos estabilidade pol\u00edtica as custas de processos repressivos ou coopta\u00e7\u00e3o dos principais dirigentes dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 especie de \u201cremasteriza\u00e7\u00e3o\u201d do conceito de <em>frente popular <\/em>usado por Trotsky para explicar processos nos quais setores e governos s\u00e3o constitu\u00eddos a partir da coaliz\u00e3o de partidos que representam classes antag\u00f4nicas. Valerio pondera quando diz que \u201cn\u00e3o h\u00e1 muitas d\u00favidas de que o governo Lula foi um governo de colabora\u00e7\u00e3o de classes, ou seja, um governo burgu\u00eas at\u00edpico ou sui generis, porque dirigido pelo PT\u201d. Mais uma vez aparece de forma diferente a tese do governo de <em>frente popular<\/em>. O fato de ser dirigido pelo PT torna um governo burgu\u00eas at\u00edpico? Aqui o fen\u00f4meno do transformismo petista foi desconsiderado na an\u00e1lise.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que Lula foi fundamental para estabilizar a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que vinha no final do governo FHC que se polarizava. Mas \u00e9 preciso identificar outro proposito. Al\u00e9m do elemento antecipador de um poss\u00edvel processo de levante popular que poderia reproduzir as rebeli\u00f5es vividas em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina os governos Lula\/Dilma cumpriram o papel de aprofundar o processo de financeiriza\u00e7\u00e3o do capitalismo no Brasil e de o estabelecer como principal representante do neoliberalismo na America do Sul.<\/p>\n<p>Arcary considera que a novidade hist\u00f3rica de Lula \u00e9 que esse foi o primeiro governo de \u201ccolabora\u00e7\u00e3o de classes, em um pa\u00eds perif\u00e9rico, que n\u00e3o foi hostilizado pelos governos das potencias que dominavam o sistema internacional de Estados\u201d (\u00eddem: 19). Esso caracteriza\u00e7\u00e3o correta, mas \u00e9 preciso dizer que o governo n\u00e3o foi atacado pelo imperialismo, ao contr\u00e1rio, tem colaborado diretamente com ele no campo internacional, vide a ocupa\u00e7\u00e3o do Haiti e pesudo neutralidade frente aos problemas que relacionam seus vizinhos e a burguesia estrangeira, vide caso das Ilhas Malvinas. \u00c9 preciso que fique claro que a alta popularidade do <em>lulismo<\/em> durante a \u00faltima d\u00e9cada se apoia nas pol\u00edticas de compensa\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o exatamente em reformas. \u00c9 necess\u00e1rio estabelecer uma distin\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edticas de compensa\u00e7\u00e3o social e reformas estruturai. As politicas de compensa\u00e7\u00e3o social n\u00e3o s\u00e3o exatamente reformas que mudam estruturalmente a din\u00e2mica social, mas podem por outro lado criar melhores condi\u00e7\u00f5es para ele se agudizar a desigualdade social.<\/p>\n<p>A partir de uma premissa equivocada se chega dentro da l\u00f3gica formar a conclus\u00f5es n\u00e3o menos falsas. Vejamos, Arcary coloca a seguinte quest\u00e3o: \u201cPor que reformista? Por que foi um governo de colabora\u00e7\u00e3o de classes. O tema n\u00e3o \u00e9 controverso. Por que quase sem reformas?\u201d A premissa de que o governo \u00e9 de colabora\u00e7\u00e3o de classes segunda a perspectiva do autor leva a conclus\u00e3o mec\u00e2nica de que seria ent\u00e3o um governo reformista. Nesta l\u00f3gica, apesar de ser um governo que aplica mais contrarreformas do que reformas esse continua sendo um governo reformista porque \u00e9 de colabora\u00e7\u00e3o de classes? Os fatos acabam sendo aniviados em nome de esquema mental que considera que se o governo \u00e9 um governo do PT, um partido oper\u00e1rio, \u00e9 um governo de colabora\u00e7\u00e3o de classes portanto e, necessariamente, um governo de frente popular.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois aspectos a serem consideradoso primeiro \u00e9 que o PT foi decisivo para que o movimento da consci\u00eancia de classe dos trabalhadores na d\u00e9cada de 80 ganhasse uma express\u00e3o pol\u00edtica reformista, mas a experi\u00eancia e as derrotas da d\u00e9cada de 90 foram o ch\u00e3o para que mesmo esse classismo prim\u00e1rio reflu\u00edsse. Nesse caso o PT tamb\u00e9m teve papel decisivo como elemento consciente da \u201ccorrup\u00e7\u00e3o\u201d desse ganho de consci\u00eancia da decada de 80, dessa forma ele foi express\u00e3o de um ganho conciencia mas durante a decada de 90 atuou para corrompe-la.<\/p>\n<p>Verdade que as \u201cmassas populares\u201d precisam de pontos de apoio para realizar as suas lutas, por\u00e9m muitas vezes a fazem sem contar com organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas j\u00e1 institu\u00eddas e tamb\u00e9m podem fazer a luta sem que suas pautas sejam express\u00e3o direta dos efeitos mais duros da crise econ\u00f4mica. Esse foi o caso da rebeli\u00e3o juvenil de Junho de 2013. Um setor das massas tomou as ruas em reposta \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia de todo um setor urbano da popula\u00e7\u00e3o, particularmente o que vive nas periferias das grandes cidades. Esta mobiliza\u00e7\u00e3o nacional sacudiu a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e fez a popularidade do governo despenca, demosntrando que a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das massas \u00e9 fundamental para limpar o terreno anal\u00edtico, ou seja, para se estabelecer uma clara distin\u00e7\u00e3o entre a propaganda governista e a realidade social e pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Ao dialogar com os setores que argumentam que o governo n\u00e3o tinha correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as para desenvolver pol\u00edticas pr\u00f3-trabalhadores, Arcary coloca que a quest\u00e3o chave \u00e9 saber se \u201cdurante os \u00faltimos anos, o governo lula esteve ou n\u00e3o disposto a desafiar o dom\u00ednio capitalista sobre a sociedade brasileira\u201d (\u00eddem: 24). A nosso ver, essa n\u00e3o parece ser uma quest\u00e3o real, se for consideradoo movimento pol\u00edtico que o PT fez as \u00faltimas d\u00e9cadas, e parece um impressinismo em rela\u00e7\u00e3o ao nivel de conciencia e capcidade de revolta das massas. \u00c9 como se houvesse atrav\u00e9s da elei\u00e7\u00e3o de Lula em s\u00ed a possibilidade de um desbloqueio da luta de classes na medida que as massas iriam se sentir tra\u00eddas pela n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de um programa mudan\u00e7as estruturais.<\/p>\n<p>Apesar de estar em uma perspectiva politica distinta, Luiz Werneck Vianna sustenta que o lulismo seria uma frente de classes no qual conviveriam for\u00e7as contradit\u00f3rias, mas que os conflitos em \u00faltima inst\u00e2ncia seriam decididos pelo presidente (<em>A moderniza\u00e7\u00e3o sem o moderno<\/em>, Contraponto, 2011). Nesse sentido, o parlamento teria perdido poder de media\u00e7\u00e3o com a sociedade pois esse teria sido absorvido por conselhos, como o do desenvolvimento econ\u00f4mico e social. O Estado (e governo) teria um certo elemento bonapartista, criado uma esp\u00e9cie de rela\u00e7\u00e3o direta com a sociedade ao trazer para o seu interior representantes diretos de v\u00e1rios setores, al\u00e9m de absorver politicamente representantes da sociedade civil tamb\u00e9m criou v\u00e1rias formas de depend\u00eancia financeira atrav\u00e9s de ongs, doa\u00e7\u00f5es, transfer\u00eancias do FAT, bolsas e etc. Vianna observa que h\u00e1 um processo generalizado de centraliza\u00e7\u00e3o administrativa que \u00e9 puxado por pol\u00edticas p\u00fablicas de justi\u00e7a social o que requer racionaliza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es, o que leva racionalidade administrativa. Como exemplo utiliza o Conselho Nacional de Justi\u00e7a que tem estabelecido um forte controle e centraliza\u00e7\u00e3o sobre o poder judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Demandas democr\u00e1ticas contraditoriamente estariam refor\u00e7ando ou instituindo mecanismos nos quais se \u201cprescinde da participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, uma vez que decorre da a\u00e7\u00e3o das elites ilustradas (&#8230;) elites que encontram no governo a oportunidade de realiza\u00e7\u00e3o das suas agendas de democratiza\u00e7\u00e3o social\u201d (\u00eddem: 29). Vianna acerta quando diz que o governo desde o in\u00edcio rompeu com o seu programa e se colocou com continuidade do governo anterior em rela\u00e7\u00e3o a pol\u00edtica econ\u00f4mica. Vemos aqui dois equ\u00edvocos. Primeiro lugar porque n\u00e3o \u00e9 verdade que houve uma ruptura abrupta com um programa radical, n\u00e3o foi exatamente uma surpresa para o campo da esuqerda o que ocorreu com o PT; em segundo lugar, um estado que abrigasse todas as classes sociais parece que coloca uma situa\u00e7\u00e3o de igualdade que n\u00e3o havia no interior do governo devido as media\u00e7\u00f5es causadas pelas distintas representa\u00e7\u00f5es no interior desse \u201ccondom\u00ednio presidencial\u201d.<\/p>\n<p>Como express\u00e3o desse encontro de classes sociais distintas ter\u00edamos a presen\u00e7a de representantes do \u201ccapitalismo agr\u00e1rio e os trabalhadores do campo, ai inclu\u00eddo o MST, ambos ocupando, pelas suas representa\u00e7\u00f5es, posi\u00e7\u00f5es fortes na Administra\u00e7\u00e3o\u201d (\u00eddem: 31). Para o autor o governo Lula n\u00e3o estaria sen\u00e3o que repetindo a tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional a realizar um movimento sem supera\u00e7\u00e3o, uma \u201cdial\u00e9tica sem s\u00edntese\u201d, pois depois de v\u00e1rias elei\u00e7\u00f5es superaram eleitoralmente o PSDB para logo ap\u00f3s reintegra-lo ao poder atrav\u00e9s da presid\u00eancia do banco central. Aqui se comete o mesmo equivoco que muitos analistas em rela\u00e7\u00e3o a defini\u00e7\u00e3o do governo Lula como uma forma de revolu\u00e7\u00e3o passiva apesar de todo o rastro pol\u00edtico de conservadorismo deixado pelo PT durante o seu movimento at\u00e9 chegar a vit\u00f3ria eleitoral de 2002. Perde-se a dimens\u00e3o de que n\u00e3o se trata mais de uma forma de transforma\u00e7\u00e3o que assume o programa das \u201cfor\u00e7as de conserva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.2.2 A <em>hegemonia \u00e0s avessas<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do quadro de autores cr\u00edtico ao <em>lulismo<\/em> se encontra o renomado soci\u00f3logo Francisco de Oliveira. Este considera que o <em>lulismo<\/em> \u00e9 um fen\u00f4meno pol\u00edtico regressivo, que cumpriu o papel de desmobilizar e despolitizar o pa\u00eds e aplicou um programa contra os interesses dos trabalhadores. Esse renomado soci\u00f3logo, reuni em torno de suas teses pesquisadores que compartilham &#8211; com adequa\u00e7\u00f5es aqui e al\u00ed &#8211; de suas quest\u00f5es e hip\u00f3teses centrais. Apesar deste setor da intelectualidade acad\u00eamica apresentar uma cr\u00edtica um pouco mais contumaz e dialogar com organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que est\u00e3o na oposi\u00e7\u00e3o de esquerda ao governo pensamos que tamb\u00e9m apresentam como resultado de sua pesquisa uma vis\u00e3o que n\u00e3o compartilhamos.<\/p>\n<p>Na elabora\u00e7\u00e3o de Oliveira \u201cesse curioso fen\u00f4meno em que parte \u2018dos de baixo\u2019 dirige o Estado por interm\u00e9dio do programa \u2018dos de cima\u2019 se desconsidera a trajet\u00f3ria pol\u00edtica que faz o PT na d\u00e9cada de 90 e o seu profundo \u201ctransformismo\u201d que n\u00e3o nos permite afirmar que \u201cparte dos de baixo\u201d dirige o Estado (<em>Hegemonia \u00e0s avessas<\/em>: 8). A burocracia sindical lulista quando chega ao governo j\u00e1 fez um movimento pol\u00edtico-social de incorpora\u00e7\u00e3o tanto social quanto program\u00e1tica \u00e0 classe dominante.<\/p>\n<p>O autor afirma que o mandato era \u201cintensamente reformista no sentido cl\u00e1ssico do termo\u201d no qual se esperava o \u201calargamento dos espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o nas decis\u00f5es da grande massa popular, intensa distribui\u00e7\u00e3o de renda\u201d e finalmente uma reforma pol\u00edtica e da pol\u00edtica que desse fim a longa persist\u00eancia do patrimionalismo\u201d (\u00eddem: 369). Mas, n\u00e3o chega a estas conclus\u00f5es a partir da configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social do governo e do conjunto das suas medias nesses 12 anos, n\u00e3o conclui que o profundo transformismo petista e lulista n\u00e3o no permite dizer que h\u00e1 uma \u201chegemonia \u00e0s avessas\u201d e que n\u00e3o houve uma inflex\u00e3o total das propostas petista e sim uma longo processo de adapta\u00e7\u00e3o desse partido ao programa social-liberal. Sobra a Oliveira uma rea\u00e7\u00e3o at\u00f4nita e infelizmente pouco interpretativa em rela\u00e7\u00e3o ao o que \u00e9 o <em>pacto lulista<\/em>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.2.3 A <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva a brasileira <\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vamos a an\u00e1lise do que estamos chamando de falsas premissas que comp\u00f5e o corpo te\u00f3rico que traduz de maneira equivocada o concito gramsciano de revolu\u00e7\u00e3o passiva aplicado ao lulismo como movimento pol\u00edtico. Al\u00e9m disso Existe um alinhamento te\u00f3rico em torno as interpreta\u00e7\u00f5es de Chico de Oliveira sobre o qual teremos que tecer alguns coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nas palavras de Ruy Braga \u201ca esse curioso fen\u00f4meno \u201ctransformista\u201d em que parte \u201cdos de baixo\u201d dirige o Estado por interm\u00e9dio do programa \u201cdos de cima\u201d, Chico chamou \u201chegemonia \u00e0s avessas\u201d: vit\u00f3rias pol\u00edticas, intelectuais e morais \u201cdos de baixo\u201d fortalecem dialeticamente as rela\u00e7\u00f5es sociais de explora\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio \u201cdos de cima\u201d (<em>A pol\u00edtica do precariado<\/em>, Boitempo, 2012: 24). Lula foi um dos mais est\u00e1veis da hist\u00f3ria do pa\u00eds, isso se deve a constru\u00e7\u00e3o de um governo de coaliza\u00e7\u00e3o que contava com o apoio dos sindicatos e dos principais movimentos sociais. Al\u00e9m disso, foram criadas uma s\u00e9rie de expectativas em torno de um presidente que tinha origem oper\u00e1ria e foi lideran\u00e7a do grande movimento oper\u00e1rio que surgiu no final da d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos concordar com a an\u00e1lise de que Lula, a burocracia sindical, o seu governo de alian\u00e7a com Jos\u00e9 Alencar e toda banca possam ser considerados com \u201cparte dos de baixo\u201d e nem que aplicavam uma \u201chegemonia \u00e0s avessas\u201d ao aplicar um programa que n\u00e3o lhes era comum. O deslocamento eleitoral do <em>subproletariado<\/em>, setor de classe que soma mais de 40 milh\u00f5es de pessoas, portanto um <em>peso<\/em> eleitoral important\u00edssimo, foi um fen\u00f4meno decisivo na reelei\u00e7\u00e3o de Lula, ap\u00f3s o afastamento de grandes contingentes da classe m\u00e9dia a partir da den\u00fancia do \u201cmensal\u00e3o\u201d em 2005, o que lhe permitiu derrotar o PSDB em 2006, eleger Dilma em 2010 e reelege-la agora em 2014.<\/p>\n<p>Assim, nesta perspectiva, o programa Bolsa Fam\u00edlia \u201cteria garantido a maci\u00e7a ades\u00e3o dos setores pauperizados das classes subalternas brasileiras ao projeto do governo, jogando no campo do seu advers\u00e1rio eleitoral, isto \u00e9, da instrumentaliza\u00e7\u00e3o da pobreza e da gest\u00e3o burocr\u00e1tica dos conflitos sociais, o governo Lula soube derrotar o \u201cPartido da Social Democracia Brasileira (PSDB), mas ao pre\u00e7o da despolitiza\u00e7\u00e3o generalizada das lutas sociais\u201d (\u00eddem: 24-25). Que o governo Lula tenha utilizado do mesmo expediente de conceder pol\u00edticas de compensa\u00e7\u00e3o social que os seus advers\u00e1rios eleitorais \u00e9 uma quest\u00e3o que parece estar fora do debate aqui. Mas, aqui entra em cena a identidade estabelecida por Oliveira e seguida por Braga entre redu\u00e7\u00e3o da pobreza monet\u00e1ria &#8211; at\u00e9 Singer reconhece isso &#8211; e combate a desigualdade social.<\/p>\n<p>Braga est\u00e1 correto quando refuta a tese de que o subproletariado n\u00e3o pode ser confinado apenas a \u201cparticipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica eleitoral\u201d e queesse setor de classe tamb\u00e9m foi o respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o do PT, da CUT e tamb\u00e9m pela elei\u00e7\u00e3o de Lula, pois \u201ca reconstru\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica da forma\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria dessa fra\u00e7\u00e3o de classe mostrar\u00e1 que apesar da atual estabilidade do modo de regula\u00e7\u00e3o proporcionada pelo \u201ctransformismo\u201d petista, a hegemonia lulista encontra-se assentada em um terreno historicamente movedi\u00e7o\u201d (\u00eddem: 29). Isso \u00e9 correto, pois o <em>subproletariado <\/em>tem sido um setor que demonstra grande dinamismo social, e nesse dinamismo ao se incorporar a classe trabalhadora acaba por se transformar no setor jovem e mais din\u00e2mico dessa classe.<\/p>\n<p>Apesar dos seus limites sociais e pol\u00edticos dos camponeses sem terra ou do movimento dos trabalhadores sem terra que n\u00e3o podem como o fez a classe oper\u00e1ria na d\u00e9cada de 80 formar um partido ou uma central sindical da envergadura da CUT, tamb\u00e9m podemos presenciar que o subproletariado \u00e9 respons\u00e1vel por in\u00fameros exemplos de combatividade e politiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A dial\u00e9tica do <em>lulismo <\/em>\u00e9 composta pela combina\u00e7\u00e3o entre consentimento passivo das massas e consentimento ativo das dire\u00e7\u00f5es sindicais. Dessa forma, essa forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica tem como ess\u00eancia \u201co consentimento passivo das massas (&#8230;) com o consentimento ativo das dire\u00e7\u00f5es sindicais\u201d. N\u00e3o parece que o lulismo seja apenas a jun\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a sindical, enriquecida pelos cargos p\u00fablicos, fundos de pens\u00e3o e outros \u201cneg\u00f3cios\u201d com a massa do subproletariado que esta seduzida pelas pol\u00edticas de compensa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 certo afirmar que que o subproletariado pode passar da inatividade pol\u00edtica a atividade com em outros momentos da hist\u00f3ria politica brasileira. Por\u00e9m, n\u00e3o se pode transpor de maneira mec\u00e2nica a rela\u00e7\u00e3o entre a burocracia sindical da d\u00e9cada de 1970 com o setor mais prec\u00e1rio da classe trabalhadora que ao combater a pauperiza\u00e7\u00e3o se politizou e acabou construindo as maiores organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias da hist\u00f3ria do Brasil, como faz Braga. Importantes revoltas do<em> subproletariado<\/em> contra as condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia &#8211; como as dos trabalhadores nas obras do PAC em Belo Monte, por exemplo, j\u00e1 estavam ocorrendo desde 2011.<\/p>\n<p>Para o autor, a dial\u00e9tica do lulismo seria composta da seguinte forma: \u201co momento negativo deve ser buscado no amadurecimento da experi\u00eancia oper\u00e1ria ao longo do clico grevista de 1978-80, o conservador na reconcilia\u00e7\u00e3o da burocracia de S\u00e3o Bernardo com a estrutura sindical oficial e, consequentemente, como o Estado capitalista &#8211; coroada pela transforma\u00e7\u00e3o, ao longo dos anos 1990, no PT em not\u00e1vel m\u00e1quina eleitoral -, e a eleva\u00e7\u00e3o, na conquista do governo federal em 2002, que possibilitou aquela burocracia sindical converter-se, definitivamente, em gestora da poupan\u00e7a dos trabalhadores\u201d (\u00eddem: 44).<\/p>\n<p>Compartilhamos a ideia de que a burocracia lulista tem sua genealogia ligada ao grande ascenso sindical do final da d\u00e9cada de 70 que foi parte da nega\u00e7\u00e3o da estrutura sindical e da ditadura militar, luta sindical que ao romper com o oficialismo se colocou como dire\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 na greve de 1980 ela cumpriu o papel de freio da necess\u00e1ria unifica\u00e7\u00e3o metal\u00fargica, \u00fanica forma de criar a for\u00e7a necess\u00e1ria para impor as reivindica\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, enfrentar a patronal e os militares e a partir da\u00ed criar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para reagir a ditadura de forma cabal.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese de o lulismo ser uma especie de revolu\u00e7\u00e3o passiva n\u00e3o se sustenta, pois seria um processo no qual conserva\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o ocorrem de forma combinada &#8211; como todo movimento dial\u00e9tico, \u00e9 composto por uma dada combina\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a e conserva\u00e7\u00e3o que pode ser quantitativa ou qualitativa &#8211; no qual um elemento n\u00e3o neutraliza o outro, ao contr\u00e1rio predomina, no caso da revolu\u00e7\u00e3o passiva, a transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> Uma defini\u00e7\u00e3o da hegemonia lulista <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Procuramos interpretar o fen\u00f4meno em quest\u00e3o utilizando ferramentas conceituais consagradas pelo marxismo revolucion\u00e1rio durante o s\u00e9culo XX. Ferramentas essas que est\u00e3o sendo usadas em larga escala mas infelizmente de forma equivoca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5.1 As contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas de Trotsky e de Gramsci<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pensamos que existem duas contribui\u00e7\u00f5es para interpretar o fen\u00f4meno politico em quest\u00e3o que guardadas as suas especificidades podem ser encaradas de forma complementar. Estamos falando das categorias politicas elaboradas por Leon Trotsky e Antonio Gramsci para interpretar os processos pol\u00edticos do s\u00e9culo XX. Estes dois autores t\u00eam como crit\u00e9rio encontrar a l\u00f3gica pr\u00f3prias dos processos pol\u00edticos. Assim, n\u00e3o se trata de inven\u00e7\u00f5es categoriais que se sobrep\u00f5em aos fen\u00f4menos, ao contr\u00e1rio, buscam na realidade o seu movimento l\u00f3gico, n\u00e3o \u00e9 a coisa da logica mas a l\u00f3gica da coisa que est\u00e1 em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o caso da an\u00e1lise que Trotsky faz da <em>Frente Popular <\/em>na Fran\u00e7a durante a d\u00e9cada de 1930. A an\u00e1lise sobre um movimento pol\u00edtico de esquerda que acaba como governo de concilia\u00e7\u00e3o de classes nos deixaou li\u00e7\u00f5es preciosas sobre para o fazer pol\u00edtico. Gramsci analisa o processo de moderniza\u00e7\u00e3o italiano no s\u00e9culo XIX tamb\u00e9m deixa um ferramental conceitual decisivo atrav\u00e9s da \u201crevolu\u00e7\u00e3o passiva\u201d &#8211; predom\u00ednio da transforma\u00e7\u00e3o na dial\u00e9tica rea\u00e7\u00e3o-transforma\u00e7\u00e3o &#8211; e da \u201ccontrarrevolu\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; predom\u00ednio da rea\u00e7\u00e3o &#8211; para compreendermos o desenvolvimento hist\u00f3rico que nem sempre ocorre por rupturas revolucion\u00e1rias, principalmente se levamos em conta o percurso hist\u00f3rico brasileiro.<\/p>\n<p>H\u00e1 entre os dois autores significativos pontos de encontro sobre essas respectivas formula\u00e7\u00f5es &#8211; principalmente em rela\u00e7\u00e3o aos conceitos de <em>bonapartismo sui generis<\/em> e <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva<\/em> &#8211; para explicar a forma\u00e7\u00e3o dos estados modernos e a composi\u00e7\u00e3o de governos no interior do desigual desenvolvimento econ\u00f4mico e pol\u00edtico vivido no Brasil. Da mesma forma que a categoria de \u201cfrente popular\u201d, o conceito de \u201crevolu\u00e7\u00e3o passiva\u201d em absoluto n\u00e3o se aplica ao Brasil da era <em>lulista<\/em>. No Brasil n\u00e3o assistimos nem a sombra do que poderia ser uma revolu\u00e7\u00e3o passiva. Por aqui as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que levaram Lula ao governo n\u00e3o contavam com uma luta generalizada de descontentamento popular espont\u00e2nea ou de forma organizada, o que havia sim era o descontentamento com a pol\u00edtica neoliberal de FHC que tendia sim a uma rebeli\u00e3o, mas apenas tendia. Da\u00ed a pol\u00edtica do PT e da maioria da burguesia de montar um governo de coaliza\u00e7\u00e3o. Tudo isso como uma forma de prevenir a necessidade de uma rea\u00e7\u00e3o direta a insatisfa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Quais seriam as condi\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da <em>frente popula<\/em>r? Segundo Trotsky nessa alian\u00e7a do proletariado com a burguesia imperialista, ou melhor em \u201cuma alian\u00e7a do proletariado com a burguesia imperialista, representada pelo partido radical, e outros despojos da mesma esp\u00e9cie e menor envergadura. Essa alian\u00e7a se estende ao terreno parlamentar\u201d (<em>Aonde vai a Fran\u00e7a?<\/em> Leon Trotsky. Editora Desafio, 1994: 117). Ou seja, para que aja uma alian\u00e7a do proletariado com a burguesia imperialista isso s\u00f3 pode ocorrer atrav\u00e9s do um partido oper\u00e1rio, que no caso da Fran\u00e7a est\u00e1 representado pelo Partido Comunista Franc\u00eas (PCF) que apesar de reformista ainda poderia ser considerado como oper\u00e1rio. Por outro lado, a burguesia imperialista tem no Partido Radical a sua representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nessa composi\u00e7\u00e3o de classes, n\u00e3o h\u00e1 um equil\u00edbrio, pelo contr\u00e1rio, a burguesia \u201cconserva toda a sua liberdade de a\u00e7\u00e3o\u201d e \u201climita brutalmente a liberdade de a\u00e7\u00e3o do proletariado\u201d (\u00eddem: 117). O governo de <em>Frente Popular<\/em> comporta um elemento que muitas vezes \u00e9 desconsiderado por aqueles que enquadram o <em>lulismo<\/em> nessa categoria, mas que \u00e9 indispens\u00e1vel para a composi\u00e7\u00e3o dessa forma de governo burgu\u00eas. \u00c9 o elemento da instabilidade: a atividade pol\u00edtica do movimento de massas. Fator que ficou mais evidente no governo de Dilma, mas que esteve presente em alguns momentos do governo de Lula.<\/p>\n<p>A <em>frente popular<\/em> conta com uma participa\u00e7\u00e3o ativa das massas, que \u201cmostram, por seu voto e por sua luta, que querem derrubar o partido radical, os chefes da Frente \u00danica, ao contr\u00e1rio, aspiram a salv\u00e1-lo\u201d (\u00eddem). Ou seja, as massas mostram pelo voto e pela luta que querem derrubar os elementos burgueses dessa frente, mas os dirigentes, atuam no sentido de preserva-los. Portanto h\u00e1 um latente descompasso entre a vontade pol\u00edtica das massas e a a\u00e7\u00e3o dos partidos que representam os prolet\u00e1rios.<\/p>\n<p>Trotsky descreve a opera\u00e7\u00e3o na qual os dirigentes dos partidos oper\u00e1rios ganham a confian\u00e7a das massas por interm\u00e9dio de um programa \u201csocialista\u201d mas somente para entregar \u201cvoluntariamente a parte do le\u00e3o desta confian\u00e7a aos radicais, nos quais as massas n\u00e3o tem confian\u00e7a alguma\u201d (\u00eddem). Opera-se uma esp\u00e9cie de \u201ctransformismo\u201d pol\u00edtico no qual os dirigentes oper\u00e1rios no curso do processo no qual as massas no enfrentamento com a burguesia depositam a confian\u00e7a em dirigentes que assim que chegam ao governo traem imediatamente a sua confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Com a \u201cevolu\u00e7\u00e3o\u201d da <em>Frente Popular<\/em> na Fran\u00e7a n\u00e3o restou muito mais do que a colabora\u00e7\u00e3o de classes entre psudorepresentantes do proletariado (reformistas e stalinistas) e da pequena burguesia (radicais), n\u00e3o uma alian\u00e7a entre prolet\u00e1rios e a pequena burguesia. Na verdade, o partido da pequena burguesia representa os interesses do capital financeiro no interior da frente popular. A <em>Frente Popular<\/em> vive um drama pol\u00edtico de repercuss\u00f5es hist\u00f3ricas, e n\u00e3o consegue superar o impasse hist\u00f3rico porque teme a debandada da classe m\u00e9dia, assim fica a meio caminho para n\u00e3o amea\u00e7ar a ordem social.<\/p>\n<h1>Trotsky como agudo analista pol\u00edtico prev\u00ea que o impasse n\u00e3o pode durar in aeternum Diante do impasse e apoiada pelo capital financeiro, a pequena burguesia tende a direita, assim, a exemplo de outros pa\u00edses da Europa, uma nova configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se estabelecer\u00e1, significar\u00e1 \u201co come\u00e7o do fascismo na Fran\u00e7a, n\u00e3o somente como organiza\u00e7\u00e3o semimilitar dos filhos de boa fam\u00edlia, com autom\u00f3veis e avi\u00f5es, mas tamb\u00e9m como verdadeiro movimento de massas\u201d (\u00eddem: 156). Aqui vemos que a Frente Popular de maneira \u201ccl\u00e1ssica\u201d configura uma situa\u00e7\u00e3o &#8211; inclusive mundial &#8211; de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que tende a levar a situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1rias ou contrarrevolucion\u00e1rias, estamos no meio da era dos extremos.<\/h1>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do <em>pacto lulista <\/em>que se efetivou na elei\u00e7\u00e3o de 2002 se deu em um momento antes da possiblidade de eclos\u00e3o de uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o passiva\u201d. Por outro lado, as demandas populares n\u00e3o foram atendidas por essa forma de domina\u00e7\u00e3o. Aqui parece que n\u00e3o cabe muito esfor\u00e7o conceitual, (basta descrever quais foram as pol\u00edticas do lulismo at\u00e9 hoje que d conta de afirmar que as pol\u00edticas de compensa\u00e7\u00e3o social n\u00e3o s\u00e3o exatamente o atendimento das demandas dos de \u201cbaixo\u201d. Em Gramsci a <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva<\/em> \u00e9 um conceito que se aplica quando estamos diante de grande acontecimento e desafios hist\u00f3ricos, tais como as reformas na Europa durante o s\u00e9culo XIX que forma respons\u00e1veis pela centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a passagem de regimes mon\u00e1rquicos para rep\u00fablica, na qual a classe dominante respondeu \u201cpelo alto\u201d as tarefas que a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa exigia, ou seja, foi um caminho de transforma\u00e7\u00e3o que anulou a &#8211; perigosa &#8211; possibilidade de mobiliza\u00e7\u00e3o das massas populares.<\/p>\n<p>A desigualdade no desenvolvimento capitalista na Europa e em outros continentes proporcionou forma\u00e7\u00f5es sociais distintas. Convivem com os processos cl\u00e1ssicos &#8211; mesmo esses cont\u00eam uma s\u00e9rie de movimentos contradit\u00f3rios &#8211; de forma\u00e7\u00e3o capitalista e do estado moderno com vias \u201ctardias\u201d como a alem\u00e3, italiana e japonesa, al\u00e9m das \u201chipertardias\u201d como as da am\u00e9rica latina. S\u00e3o processos de moderniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o cl\u00e1ssicos porque n\u00e3o contaram com revolu\u00e7\u00f5es que bloquearam a mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das massas populares e n\u00e3o significaram uma ruptura radical com o antigo regime, tendo a revolu\u00e7\u00e3o francesa do final do s\u00e9culo XVIII como o maior exemplo.<\/p>\n<p>O conceito de \u201crevolu\u00e7\u00e3o passiva\u201d por Gramsci se d\u00e1 a partir da observa\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias hist\u00f3ricas concretas, como a transi\u00e7\u00e3o na It\u00e1lia do regime feudal para o capitalismo, a restaura\u00e7\u00e3o p\u00f3s-napole\u00f4nica na Fran\u00e7a da d\u00e9cada de 1840 ou a unifica\u00e7\u00e3o alem\u00e3 sob Bismarck. Esses processos ocorreram sem a participa\u00e7\u00e3o das massas camponesas, os seus partidos foram neutralizados pois n\u00e3o conseguiram formular projetos hegem\u00f4nicos para atender aos interesses do povo, o que significou a marginaliza\u00e7\u00e3o destes partidos.<\/p>\n<p>Para se compreender a \u201crevolu\u00e7\u00e3o passiva\u201d \u00e9 \u00fatil o conhecimento do conceito de \u201ccrise org\u00e2nica\u201d, pois quando essa ocorre h\u00e1 um \u201cabalo das estruturas e superestruturas de um bloco hist\u00f3rico, abrindo-se a possibilidade de surgimento de novas formas de organiza\u00e7\u00e3o social\u201d (<em>O social-liberalismo<\/em>, Rodrigo Castelo. Express\u00e3o Popular, 2013: 106). Desta maneira, diante das crises org\u00e2nicas as antigas classes dominantes temem que novas revolu\u00e7\u00f5es populares como as jacobinas na qual a classe dominante poderia perder o controle pol\u00edtico, assim procura construir processos que incorporem as reivindica\u00e7\u00f5es dos de baixo de forma moderada, sem participa\u00e7\u00e3o popular, tal como foi a transi\u00e7\u00e3o do feudalismo para o capitalismo na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>O <em>lulismo<\/em> frente ao governo federal parece longe da categoria de <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva<\/em>. Trata-se de um governo de coaliza\u00e7\u00e3o que acabou por contingencias pol\u00edticas que acabaram refor\u00e7ando o papel do chefe em seu interior. Gramsci diz que \u201ccada governo de coalis\u00e3o \u00e9 um grau inicial de cesarismo, que pode ou n\u00e3o se desenvolver at\u00e9 graus mais significativos\u201d (<em>Maquiavel, a pol\u00edtica eo o estado moderno<\/em>, Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 1968: 64). Nessa forma de governo \u201cse exprime sempre a solu\u00e7\u00e3o &#8216;arbitri&#8217;, confiada a uma grande personalidade, de uma situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-pol\u00edtica caracterizada por um equil\u00edbrio de for\u00e7as de perspectiva catastr\u00f3fica\u201d (\u00eddem: 63). Ou seja, uma personalidade forte que assume o poder a partir de um ponto de equil\u00edbrio entre as classes que poderia levar a uma situa\u00e7\u00e3o de crise generalizada, vazio tempor\u00e1rio de poder, assun\u00e7\u00e3o ao comando que pode levar a uma solu\u00e7\u00e3o progressista ou regressiva, mas novamente contamos com a presen\u00e7a de for\u00e7as pol\u00edticas ativamente contr\u00e1rias.<\/p>\n<p>Para se caracterizar se a sa\u00edda pelo alto &#8211; cesarista -, atrav\u00e9s de um golpe de estado ou de uma elei\u00e7\u00e3o, trata-se de uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o passiva\u201d, segundo Gramsci \u00e9 necess\u00e1rio considerar dentro desse processo o que predomina na \u201cdial\u00e9tica &#8216;revolu\u00e7\u00e3o-restaura\u00e7\u00e3o&#8217; \u00e9 o elemento revolu\u00e7\u00e3o ou o elemento restaura\u00e7\u00e3o que prevalece\u201d (\u00eddem: 64). A <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o desde baixo, feita pelas massas, uma revolu\u00e7\u00e3o jacobina, isso determina que se d\u00ea um processo combinado entre os elementos de restaura\u00e7\u00e3o e revolu\u00e7\u00e3o, mas no qual predomina o elemento revolu\u00e7\u00e3o. Mas isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque a classe trabalhadora n\u00e3o disp\u00f5e de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que possam construir uma contra hegemonia capaz de dirigi-la para revolu\u00e7\u00f5es que ela esteja na cabe\u00e7a e que realize o seu programa.<\/p>\n<p>As crises econ\u00f4micas em Gramsci como para outros autores cl\u00e1ssicos n\u00e3o significam imediatamente uma crise pol\u00edtica, muito menos favor\u00e1vel ao socialismo. A crise pol\u00edtica quando surgir pode levar a fen\u00f4menos pol\u00edticos regressivos como \u201cgolpes de Estado por parte das classes dominantes\u201d (<em>O social-liberalismo<\/em>, cit.: 112). Da clara defini\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o passiva \u00e9 necess\u00e1rio fazer as an\u00e1lises pol\u00edticas mais concretas poss\u00edveis para se poder identificar do que se trata o fen\u00f4meno estudados, pois no processo de enfrentamento a uma forma ou outra de domina\u00e7\u00e3o existem distintos desdobramentos e tamb\u00e9m cabem diferentes pol\u00edticas de enfrentamento.<\/p>\n<p>Apesar de ser uma transforma\u00e7\u00e3o por cima, a <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva<\/em> provoca mudan\u00e7as moleculares na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e se transformam \u201cem matriz de novas modifica\u00e7\u00f5es\u201d (Gramsci, cit.: 69). Parece que nesse crit\u00e9rio a revolu\u00e7\u00e3o passiva daria lugar a possibilidades de transforma\u00e7\u00f5es desde baixo. Em uma compara\u00e7\u00e3o com Trotsky seria um quadro similar \u00e0s <em>frentes populares <\/em>que dariam lugar a um processo de radicaliza\u00e7\u00e3o abrindo possiblidades para avan\u00e7os ou retrocessos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>O esquema te\u00f3rico de que o <em>lulismo <\/em>seria um arranjo pol\u00edtico entre a burocracia sindical\/pol\u00edtica e o \u201cprecariado\u201d (Braga, 2012) como fulcro da \u201crevolu\u00e7\u00e3o passiva \u00e0 brasileira\u201d nos parece tamb\u00e9mum equivoco. No interior do governo a burocracia cutista cumpre o papel de administrar diretamente os neg\u00f3cios da burguesia. Mas, o governo n\u00e3o \u00e9 definido apenas pelo \u201cconsentimento ativo\u201d dos dirigentes do PT e da CUT, o governo tamb\u00e9m \u00e9 composto por representantes pol\u00edticos diretos da burguesia em suas v\u00e1rias fra\u00e7\u00f5es dentro do governo.<\/p>\n<p>Afirmar que o Brasil \u00e9 um caso de <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva<\/em> devido ao \u201cconsentimento passivo\u201d das massas \u00e9 abstrair um dos elementos dessa forma de hegemonia (domina\u00e7\u00e3o) burguesa. Falta ao <em>lulismo<\/em> e as suas pol\u00edticas um alcance estrat\u00e9gico que provoque mudan\u00e7as reais na superestrutura ou mesmo nas rela\u00e7\u00f5es entre as classes. Parece que os dados revelam que essas pol\u00edticas al\u00e9m de ser um paliativo acabam por reproduzir a pobreza entre as massas. Diferenciar reformas de pol\u00edticas p\u00fablicas de transfer\u00eancia de renda.<\/p>\n<p>Gramsci diferencia \u201cgrande pol\u00edtica\u201d da \u201cpol\u00edtica menor\u201d. A grande politica est\u00e1 voltada aos grandes projetos, para defesa ou destrui\u00e7\u00e3o de \u201cdeterminadas estruturas org\u00e2nicas econ\u00f4mico-sociais\u201d (\u00eddem: 159). A \u201cgrande pol\u00edtica\u201d portanto n\u00e3o se faz sem o conflito aberto entre classes sociais ou entre setores de classe, conflito esse que de alguma forma muda a fisionomia da sociedade na qual ocorre essa disputa. O autor italiano acrescenta que \u201c\u00e9 grande pol\u00edtica tentar excluir a grande pol\u00edtica do \u00e2mbito interno da vida estatal e reduzir tudo a pequena pol\u00edtica\u201d (\u00eddem). Assim, a \u201cgrande pol\u00edtica\u201d pode de alguma forma ser traduzida em uma manobra pol\u00edtica que tire a a\u00e7\u00e3o das massas da vida pol\u00edtica da sociedade.<\/p>\n<p>A \u201cpol\u00edtica menor\u201d \u00e9 a pol\u00edtica do cotidiano, das quest\u00f5es parciais, parlamentares ou palacianas, ou seja, das disputas \u201cque se apresentam no interior de uma estrutura j\u00e1 estabelecida, em virtude de lutas pela predomin\u00e2ncia entre as diversas fra\u00e7\u00f5es de uma mesma classe pol\u00edtica\u201d (\u00eddem). Como n\u00e3o existe hegemonia sem consenso, a hegemonia da pequena pol\u00edtica ocorre sobre o consenso passivo. No consentimento passivo n\u00e3o h\u00e1 auto-organiza\u00e7\u00e3o das massas, o que predomina \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o resignada do poder como est\u00e1 posto. Para Coutinho (2010), quando se naturaliza que o fazer pol\u00edtico n\u00e3o passa de uma disputa pelo poder no interior da classe dominante ou entre as elites ocorre hegemonia da pequena pol\u00edtica (<em>Hegemonia da pequena pol\u00edtica<\/em>: 30-31). Assim, as batalhas hegem\u00f4nicas podem ocorrer n\u00e3o apenas no meio da disputa de projetos hegem\u00f4nicos de sociedade (apesar de ter sido essa uma forma bastante presente na hist\u00f3ria) Atualmente as disputas n\u00e3o tem ocorrido em torno de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas realmente divergentes pois \u201cque diferen\u00e7a substantiva existe atualmente, por exemplo, entre conservadores e trabalhistas na Inglaterra? Ou entre o governo de FHC e o governo de Lula?\u201d (\u00eddem: 30).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.2 A pol\u00edtica social-liberal<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao um governo do PT tinha algumas variantes. Havia aqueles que acreditavam que poderia ser constru\u00eddo no Brasil algo semelhante a um Estado de Bem-estar Social e aqueles que acreditavam que as esperan\u00e7as nas massas e a frustra\u00e7\u00e3o da\u00ed advinda iria abrir um caminho para uma transforma\u00e7\u00e3o radical no Brasil (o PSTU, por exemplo, \u00e9 o setor que melhor representa essa perspectiva esquem\u00e1tica). Quando de sua elei\u00e7\u00e3o, Lula j\u00e1 era tribut\u00e1rio de mais de uma d\u00e9cada de adapta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e o PT j\u00e1 era respospons\u00e1vel pela gest\u00e3o de dezena de governos estaduais e municipais com perfil liberal. Assim o neoliberalismo da d\u00e9cada de 1990 pode ter continuidade com os governos do PT, mesmo que dentro de uma nova forma pol\u00edtica que se legitimava por uma composi\u00e7\u00e3o governamental que inclu\u00eda um l\u00edder carism\u00e1tico, os aparatos sindicais e representantes da burguesia.<\/p>\n<p>O PT montou uma coalis\u00e3o para governar sem enfrentar os interesses de nenhum setor da burguesia. O que fez foi por vezes privilegiar esse ou aquele setor com isen\u00e7\u00e3o fiscal ou pol\u00edticas de incentivo, mas nada que pudesse colocar em quest\u00e3o o predom\u00ednio do capital financeiro ou do capital internacional sobre a economia brasileira. Ou seja, a ideologia de governo de enfrentamento ao capital financeiro ou ao capital internacional n\u00e3o se sustenta nem mesmo pela estrutura do capitalismo que n\u00e3o pode separar nas condi\u00e7\u00f5es atual o setor \u201cfinanceiro\u201d do \u201cprodutivo\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o tardou para que o projeto mostrasse realmente a que veio. J\u00e1 nos primeiros anos de governo Lula tivemos a aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas abertamente contra os interesses dos trabalhadores. Leda Paulani faz uma considera\u00e7\u00e3o correta quando afirma que as pol\u00edticas compensat\u00f3rias \u201cao inv\u00e9s de integrar os exclu\u00eddos, elas consagram a fratura social: distribuem uns poucos recursos \u00e0queles que jamais conseguir\u00e3o se integrar, para que se possa dar andamento tranquilo \u00e0 usual pol\u00edtica concentradora e excludente (n\u00e3o por acaso, o criador desse tipo de instrumento \u00e9 um indiv\u00edduo de cujo credo liberal ningu\u00e9m duvida, o economista monetarista norte-americano Milton Friedman)\u201d (<em>Capitalismo financeiro, estado de emerg\u00eancia econ\u00f4mico e hegemonia \u00e0s avessas<\/em>. Leda Maria Paulani: 128). Na mesma linha da autora podemos medir o governo, ou seja, mais pelo programa que coloca em pr\u00e1tica do que pelo que fala, e nesse caso os maiores beneficiados \u00e9 o setor financeiro, a agro-ind\u00fastria exportadora de soja principalmente. Lula e Dilma tem realizado gest\u00f5es abertamente burguesas a frente do governo federal. A manuten\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas econ\u00f4micas neoliberais nos primeiros anos do governo Lula, altas taxas de juros e reforma da previd\u00eancia. Trata-se da continuidade da reforma iniciada por FHC que por sua vez imp\u00f4s aos trabalhadores a idade m\u00ednima para se aposentar, agora s\u00e3o os servidores p\u00fablicos que s\u00e3o obrigados a terem a idade m\u00ednima, com essas manobras o tempo necess\u00e1rio para aposentar aumentou no m\u00ednimo dez anos, retirando diretamente direitos adquiridos dos trabalhadores e favorecendo a financeiriza\u00e7\u00e3o da previd\u00eancia social.<\/p>\n<p>Para usar as categorias utilizadas pelos defensores de que o Brasil seria um caso de <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva<\/em> a partir de 2002 ter\u00edamos que encontrar nesse fen\u00f4meno uma dial\u00e9tica entre \u201crestaura\u00e7\u00e3o\u201d (rea\u00e7\u00e3o conservadora a possibilidade de mudan\u00e7a) e \u201crenova\u00e7\u00e3o\u201d. Ou seja, a revolu\u00e7\u00e3o passiva come\u00e7a com uma rea\u00e7\u00e3o conservadora &#8211; para que se preserve as estruturais pol\u00edtico-sociais &#8211; \u00e0 possibilidade de mudan\u00e7a e depois vem a renova\u00e7\u00e3o &#8211; momento em que as demandas populares s\u00e3o satisfeitas sob o controle.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno do <em>lulismo<\/em> frente ao governo federal se aproxima mais de um processo de <em>contrarreforma<\/em> do que de <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva<\/em>, pois enquanto que em uma revolu\u00e7\u00e3o passiva se atende parte das reivindica\u00e7\u00f5es populares em uma contrarreforma \u201c\u00e9 preponderante n\u00e3o o momento do novo, mas precisamente o do velho\u201d (\u00eddem: 35). Estamos diante de um processo mundial de destrui\u00e7\u00e3o de direitos sociais, de destrui\u00e7\u00e3o do estado de bens estar social, tem sido assim apesar da resist\u00eancia dos trabalhadores em toda a parte do mundo. A tens\u00e3o entre conserva\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a reflete conceitualmente de uma forma muito mais concreta a realidade pol\u00edtica do que o conceito de revolu\u00e7\u00e3o passiva. Ou seja, no Brasil temos assistido a imposi\u00e7\u00e3o muito maior de elementos conservadores do que de elementos inovadores.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>2.3 Um <em>governo de coalis\u00e3o preventivo<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, a aproxima\u00e7\u00e3o sobre a forma hegem\u00f4nica de domina\u00e7\u00e3o que se estabeleceu a partir de 2002 est\u00e1 a servi\u00e7o de encontrar estrat\u00e9gias pol\u00edticas de combate ao capitalismo. A atualidade dos debates sobre o <em>lulismo <\/em>se explica porque o estabelecimento dessa forma de governo e a sua atual crise tem\/teve grande repercuss\u00e3o na luta de classes. O seu estabelecimento causou rupturas &#8211; ainda que de vanguarda -, cooptou as principais lideran\u00e7as e tirou as massas das ruas. Agora, finalmente, a sua crise abre uma situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais favor\u00e1vel para a luta da classe trabalhadora, para a recomposi\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio de da esquerda socialistas.<\/p>\n<p>A domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica burguesa nos governos do PT tem sua singularidade, pois n\u00e3o se trata da simples continuidade do governo anterio. Do contr\u00e1rio, seria dif\u00edcil explicar mais de uma d\u00e9cada de estabilidade pol\u00edtico-social vivida desde 2002. \u00c0 medida em que crescia a agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra o neoliberalismo no in\u00edcio dos anos 2000 e ocorriam na Am\u00e9rica Latina Rebeli\u00f5es Populares em v\u00e1rios pa\u00edses. Nesse momento, a classe dominante percebe que o Brasil poderia ser o pr\u00f3ximo pa\u00eds a explodir politicamente, por essa raz\u00e3o se inclina majoritariamente para a candidatura de Lula. Esse por sua vez assumir todos os acordos necess\u00e1rios para ter o apoio da classe dominante, e o ponto central deste acordo era n\u00e3o tocar nos pilares do edif\u00edcio neoliberal constru\u00eddo na d\u00e9cada anterior.<\/p>\n<p>O <em>lulismo<\/em> surge em 2002 como resultado de uma coalis\u00e3o com um setor da burguesia, a burocracia sindical e a partir de 2006 do <em>subproletariado<\/em>, que em uma movimento de realinhamento eleitoral passa a votar no PT (Singer, 2012). O <em>subproletariado <\/em>que passa a votar em Lula tem nas pol\u00edticas de compensa\u00e7\u00e3o social a raz\u00e3o de seu realinhamento e n\u00e3o em fatores como um pretenso conservadorismo pol\u00edtico arraigado e indefect\u00edvel, como afirma Singer. Esse setor da classe trabalhadora tem pelas suas condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia maiores dificuldades para apresentar um projeto alternativo de sociedade e uma capacidade menor de se auto organizar.<\/p>\n<p>Da mesma forma, essa composi\u00e7\u00e3o termina com o afastamento de amplos setores da classe m\u00e9dia em decorr\u00eancia do \u201cmensal\u00e3o\u201d em 2005, setores importantes da burguesia nacional fazem parte desse realinhamento eleitoral, e por raz\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas bancam a elei\u00e7\u00e3o os mandatos do PT.<\/p>\n<p>A escolha de Jos\u00e9 Alencar(PL)para o cargo de vice-presidente tem uma fun\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica muito importante, esse representaria o setor produtivo dos empres\u00e1rios no governo, aquela fra\u00e7\u00e3o do capital que se liberto do capital financeiro pode contribuir para trazer soberania, emprego, renda para os trabalhadores. Foram montados minist\u00e9rios com representantes direitos das fra\u00e7\u00f5es burguesas. Tivemos a presen\u00e7a no comando do Banco Central um representante puro sangue do capital financeiro, do agroneg\u00f3cio e dos exportadores e da burguesia industrial. Por fim, temos as lideran\u00e7as sindicais que ocuparam minist\u00e9rios, milhares de cargos no governo e nas estatais. Lula cooptou a burocracia sindical <em>n\u00e3o-lulista<\/em> com uma reforma sindical que aumentou o imposto sindical, transferindo para os sindicatos cerca de R$ 100 milh\u00f5es anuais. Estes dirigentes n\u00e3o dependem mais dos ingressos por via dos aparatos sindicais ou partid\u00e1rios, pois est\u00e3o integrados a burguesia por via da gerencia dos fundos de pens\u00e3o, da alta administra\u00e7\u00e3o das estatais, etc.<\/p>\n<p>O <em>lulismo<\/em> foi um pacto feito por cima &#8211; assistido pelas massas &#8211; entre o PT e a burguesia que tratou de construir a <em>hegemonia da pequena pol\u00edtica<\/em> brasileira \u00e0s custas de colocar em baixo do tapete as reais demandas da classe trabalhadora e de criar a ilus\u00e3o de que as quest\u00f5es sociais poderiam ser resolvidas por fora da <em>grande pol\u00edtica<\/em>. Essa manobra pol\u00edtica teve grande efic\u00e1cia pois se apoio em anos de valoriza\u00e7\u00e3o e crescimento das exporta\u00e7\u00f5es de commodities. O conceito gramisciano de <em>pequena pol\u00edtica<\/em> parece mais adequado para identificar a abordagem pol\u00edtica da composi\u00e7\u00e3o eleitoral da qual estamos tratando (ver <em>Hegemonia as avessas. A hegemonia da pequena pol\u00edtica<\/em>). Nunca esteve em jogo a luta por projeto distintos de sociedade, a pol\u00edtica passa por fora da vida cotidiana e \u00e9 entregue a administra\u00e7\u00e3o pura e simples do que est\u00e1 posto.<\/p>\n<p>Aqui se apresenta uma quest\u00e3o chave para o debate com todas as linhas interpretativas sobre o <em>pacto lulista<\/em>. Ou seja, que esse pacto significou continuidade e descontinuidade em rela\u00e7\u00e3o aos governos anteriores de FHC. De outra forma n\u00e3o podemos explicar porque o <em>lulismo <\/em>foi capaz de estabelecer a pacifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional por praticamente uma d\u00e9cada. Nessa dial\u00e9tica entre continuidade e descontinuidade sabemos que do ponto de vista estrutural &#8211; apesar da efici\u00eancia das pol\u00edticas que levaram \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da pobreza monet\u00e1ria \u2013 o que predominou na qual os elementos de continuidade quando se trata das grandes linhas macroecon\u00f4micas ou sociais.<\/p>\n<p>A justa compreens\u00e3o sobre esse tema permite aprecia\u00e7\u00e3o concreta sobre as pol\u00edticas desenvolvidas pelos governos petistas durante esses \u00faltimos doze anos, o que tamb\u00e9m joga luz sobre a composi\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica dessa forma de governo. A quest\u00e3o da perman\u00eancia e at\u00e9 aprofundamento do neoliberalismo \u00e9 fundamental para fazer a pol\u00eamica com toda sorte de analistas de um amplo leque ideol\u00f3gico &#8211; de Emir Sader a Ruy Braga &#8211; pois em todos eles o pacto <em>lulista<\/em> \u00e9 uma forma de domina\u00e7\u00e3o burguesa similar a uma <em>frente popular<\/em> ou a uma <em>revolu\u00e7\u00e3o passiva<\/em> que ao contr\u00e1rio de outras experi\u00eancias &#8211; como a de Allende, por exemplo &#8211; acabou tendo vida longa.<\/p>\n<p>Um caminho de transforma\u00e7\u00e3o que anulou a &#8211; perigosa &#8211; possibilidade de mobiliza\u00e7\u00e3o das massas populares. J\u00e1 no neoliberalismo <em>lulista <\/em>\u201cn\u00e3o est\u00e1 em jogo nenhuma op\u00e7\u00e3o entre diferentes modelos de sociedade. Podemos assim dizer que, na era da contrarreforma neoliberal, sem grande contraste a hegemonia da pequena pol\u00edtica\u201d (cit.: 40).<sup>.<\/sup> A moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a mobilidade social n\u00e3o s\u00e3o elementos que em si n\u00e3o garantem a redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social. Ou seja, sem processos de ruptura com a ordem neoliberal e com o capitalismo n\u00e3o se pode realizar combates efetivos e duradouros a desigualdade social, foi o que demonstrou mais uma vez a crise ecnomica aberta em 2008. Por outro lado, a composi\u00e7\u00e3o do governo na qual participam as principais lideran\u00e7as do movimento de massas, as pol\u00edticas sociais-liberais que centralizam e focalizam as pol\u00edticas sociais para os mais pobres e a alta das commodities permitiram o estabelecimento de uma s\u00f3lida hegemonia que durou uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Levando-se tudo isso em considera\u00e7\u00e3o, a nosso ver uma defini\u00e7\u00e3o que capta essa totalidade de fen\u00f4menos e que nos permite fazer a luta pol\u00edtica pela mobiliza\u00e7\u00e3o independente dos trabalhadores no Brasil \u00e9 a de que o <em>lulismo<\/em> configura-se como um <em>governo burgu\u00eas de coalis\u00e3o e preventivo<\/em>, no qual predominam estruturalmente a <em>contrarreforma, <\/em>a nosso ver se ajusta de maneira mais adequada a forma de domina\u00e7\u00e3o burguesa aberta em 2002.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> A luta dos trabalhadores e da juventude <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria recente do Brasil o <em>pacto lulista<\/em> foi um dos arranjos pol\u00edticos mais eficientes para apaziguar a luta de classes e deslocar a pol\u00edtica e seus encaminhamentos para os gabinetes palacianos. Durante os dois mandatos presidenciais de Lula\/Dilma assistimos mobiliza\u00e7\u00f5es contra a reforma da previd\u00eancia, por melhores condi\u00e7\u00f5es de ensino, salariais, em defesa do emprego, por demarca\u00e7\u00e3o de terra e etc. Protagonizaram lutas importantes, banc\u00e1rios, trabalhadores dos correios, funcionalismo federal, metal\u00fargicos, professores, oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil das redes p\u00fablicas estaduais. Mas, a integra\u00e7\u00e3o dos aparatos ao bloco governante, desde a luta de resist\u00eancia contra a reforma da previd\u00eancia, somado a aus\u00eancia de instrumentos alternativos de organiza\u00e7\u00e3o das massas trabalhadoras e juvenis, cumpre um papel de prevenir e conter o movimento de massas.<\/p>\n<p>Nesta parte do artigo iremos descrever alguns momentos desse processo de resist\u00eancia enquanto o <em>pacto lulilsta<\/em> se impunha na manuten\u00e7\u00e3o da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as desfavor\u00e1vel para a luta. S\u00e3o estes a reforma da previd\u00eancia, a crise do mensal\u00e3o e a radicaliza\u00e7\u00e3o estudantil a partir de ocupa\u00e7\u00e3o da reitoria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) com uma repress\u00e3o nunca vista desde o periodo militar. Em seguida, trataremos de outro momento no qual o <em>pacto lulista<\/em> com a crise econ\u00f4mica mundial, e do fim do ciclo de alta das commodities, d\u00e1 os primeiros sinais de esgotamento pol\u00edtico com a greve dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos federais, as greves dos oper\u00e1rios das obras do PAC, a luta ind\u00edgena pela demarca\u00e7\u00e3o de terras e finalmente a onda de indigna\u00e7\u00e3o popular a partir de Junho 2013.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.1 A luta em uma situa\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De 2002 a 2013 estivemos sob uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as bastante desfavor\u00e1vel. As lutas ocorreram em um ambiente pol\u00edtico no qual o lulismo exercia uma hegemonia quase que inconteste, o que fazia com que os processos de resist\u00eancia dos trabalhadores e da juventude acabassem isolados em seu pr\u00f3prio \u00e2mbito. Isso ocorreu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma da previd\u00eancia, aos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o, \u00e0s lutas oper\u00e1rias por demandas salariais e em defesa do emprego e \u00e0s lutas estudantis e populares.<\/p>\n<p>A luta contra a reforma da previd\u00eancia no in\u00edcio do governo lula foi a primeira experi\u00eancia de parte da classe trabalhadora no enfrentamento com o governo. A Proposta de Emenda Constitucional n\u00famero 40(PEC 40) consistia basicamente proposta de reforma em junho de 2003 foi enviada pelo governo e consistia basicamente em cobrar contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria aos aposentados, o fim da aposentadoria integral para os servidores p\u00fablicos, o fim da paridade entre ativos e inativos e o estabelecimento da idade que se associa ao tempo de servi\u00e7o para a aposentadoria.<\/p>\n<p>No dia 11 de junho um ato em Bras\u00edlia contra a reforma da previd\u00eancia reuniu cerca de 20 mil funcion\u00e1rios p\u00fablicos e trabalhadores de outra categoria. No entanto, a mobiliza\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m ocorreu nos estados n\u00e3o foi suficiente para impor a retirada da PEC 40 da pauta do Congresso, pois o projeto contou com apoio popular, com a trai\u00e7\u00e3o da CUT e com o empenho pessoal de Lula que usou todo o seu prestigio para impor a reforma.<\/p>\n<p>Apesar da vit\u00f3ria do governo, a resist\u00eancia a reforma da previd\u00eancia causou uma crise no interior do PT e da CUT. Um ataque t\u00e3o duro a um setor da classe trabalhadora \u2013 uma verdadeira contrarreforma &#8211; por um governo rec\u00e9m eleito com a promessa de realizar reformas sociais n\u00e3o poderia passar passar sem crises e rupturas. Esse processo teve como manifesta\u00e7\u00e3o concreta a expuls\u00e3o de quatro parlamentares do PT que votaram contra a reforma a PEC 40 e o incio de um processo de recomposi\u00e7\u00e3o do movimento de massas que iriemos discutir em outra se\u00e7\u00e3o deste texto.<\/p>\n<p>No final do primeiro mandato de Lula a den\u00fancia do mensal\u00e3o \u2013 esquema de desvio de dinheiro p\u00fablico para financiar campanhas eleitorais do PT e de sua base aliada e para pagar para que parlamentares votem nas propostas do governo \u2013 causou uma grave crise pol\u00edtica no governo e no PT. Mas, essa crise ocorreu nas alturas os trabalhadores e o povo ficou com espectador.<\/p>\n<p>O bloco composta pela classe dominante, as transnacionais, a banca financeira e a oposi\u00e7\u00e3o burguesa quis que Lula permanecesse no governo, pois lula e seu ministro da fazenda, Antonio Palocci, aplicavam um plano econ\u00f4mico neoliberal bem ao gosto da maior parte da burguesia. A pol\u00edtica da oposi\u00e7\u00e3o burguesa ao governo foi de \u201csangrar mas n\u00e3o matar\u201d com o objetivo de colher os frutos eleitorais em 2006, t\u00e1tica essa que n\u00e3o funcionou, pois tanto Lula quanto o PT se recuperaram. Lula ganhou no primeiro turno e o PT ampliou sua base parlamentar.<\/p>\n<p>Da parte do movimento n\u00e3o houve explos\u00e3o do movimento de massas, como a crise pol\u00edtica que se desencadeou em 1992 ap\u00f3s a den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o no governo Collor. N\u00e3o houve uma resposta unificada da vanguarda diante da crise institucional e algumas mobiliza\u00e7\u00f5es, como as que ocorreram em Bras\u00edlia em agosto ca\u00edram no isolamento. N\u00e3o se produziu uma irrup\u00e7\u00e3o do movimento de massas, dos trabalhadores e movimento popular por uma sa\u00edda independente do governo. A crise teve como resultado um enfraquecimento do PT frente ao governo e frente a vanguarda lutadora, por\u00e9m essa combina\u00e7\u00e3o de desmobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e de uma linha de preserva\u00e7\u00e3o da institucionalidade possibilitou que houvesse uma r\u00e1pida acomoda\u00e7\u00e3o no front pol\u00edtico e a crise foi reabsorvida totalmente no processo eleitoral de 2006.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes o movimento estudantil universit\u00e1rio protagonizou as lutas mais radicalizadas durante o per\u00edodo \u00e1ureo do <em>lulismo<\/em>. Na verdade, desde a ocupa\u00e7\u00e3o da Reitoria da USP em 2007, este setor vem se enfrentando com governos estaduais e como o governo federal. Por todo o pa\u00eds assistimos a lutas radicalizadas contra as pol\u00edticas de extens\u00e3o\/precariza\u00e7\u00e3o das universidades federais, lutas estas que foram duramente reprimidas pelas for\u00e7as federais e estaduais. O movimento universit\u00e1rio resistiu durante anos a uma dura repress\u00e3o movida pelos governos estaduais e federal, que colocou em pr\u00e1tica uma sanha repressiva que contou com a repress\u00e3o viol\u00eancia da pol\u00edcia contra manifesta\u00e7\u00f5es, pris\u00f5es, processamento e expuls\u00e3o das universidades de centenas de ativistas. Mas estas lutas n\u00e3o conseguiram n\u00e3o foram suficientemente fortes para colocar em quest\u00e3o a <em>coaliza\u00e7\u00e3o lulista <\/em>e a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as desfavor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Durante anos a juventude e a classe trabalhadora brasileira pareciam estar adormecidas frente aos sucessivos governos e suas pol\u00edticas neoliberais. Mesmo ocorrendo importantes lutas, principalmente nas universidades p\u00fablicas, como USP e Universidades Federais, nas obras de infraestrutura e nas periferias das grandes cidades por moradia e outras demandas, no momento pol\u00edtico anterior a repress\u00e3o desses processos n\u00e3o foi detonante para uma rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dentro deste contexto no qual as lutas de categorias e setores da juventude e do movimento popular n\u00e3o conseguem transcender o a sua singularidade e ganhar ares de mobiliza\u00e7\u00e3o nacional, o movimento oper\u00e1rio industrial tamb\u00e9m deu o ar da gra\u00e7a a partir da crise econ\u00f4mica mundial momento que coincide com final do segundo mandato de Lula. Uma s\u00e9rie de f\u00e1bricas em todo o territ\u00f3rio nacional nos anos 2008 e 2009 se mobilizam contra o arrocho salarial e as demiss\u00f5es massivas que tinham como causa os efeitos da crise mundial, a partir dos primeiros efeitos da crise econ\u00f4mica mundial com a queda as exporta\u00e7\u00f5es, e a pol\u00edtica do capital que queria aproveitar o momento e passar a operar com um quadro reduzido de trabalhadores passou a demiss\u00e3o em massa em algumas empresas.<\/p>\n<p>Os casos mais impactantes neste momento foram as demiss\u00f5es de 800 trabalhadores na General Motor (GM) e de 2400 trabalhadores na Embraer em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos. O intrigante \u00e9 que um ano antes o Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SMSJC &#8211; ligado \u00e0 CSP-Conlutas) anunciou uma grande vit\u00f3ria por ter evitado demiss\u00f5es em massa atrav\u00e9s o afastamento remunerado (lay out) de centenas de trabalhadores da empresa. Quando estes trabalhadores em 2009 foram desligados n\u00e3o houve resist\u00eancia alguma as 800 demiss\u00f5es, o SMSJC n\u00e3o chegou nem a propor uma resist\u00eancia grevista.<\/p>\n<p>No segundo semestre, a luta contra os efeitos da crise sobre os trabalhadores continuou animando lutas contra o desemprego e o arrocho salarial. Um movimento por reivindica\u00e7\u00f5es salariais que mobilizou categorias que se organizam em \u00e2mbito nacional, como banc\u00e1rios e correios, e categoriais-chave para o processo produtivo industrial, como os metal\u00fargicos em n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>Importantes lutas no segundo semestre se deram como a campanha salarial dos metal\u00fargicos da Volkswagen e Renaut, de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais, no Estado do Paran\u00e1 (em greve por tempo indeterminado); Volkswagen, Ford e mais seis autope\u00e7as, em Taubat\u00e9, interior do Estado de S\u00e3o Paulo e no ABC paulista. A maior parte destas lutas conseguiram reposi\u00e7\u00e3o salarial, mas n\u00e3o romperam com a \u201cnormalidade\u201d das campanhas salariais que ocorrem anualmente, ou seja, foram greves salariais que n\u00e3o se enfrentaram politicamente com o governo e nem utilizaram m\u00e9todos radicalizados. Com o fim dos anos de crescimento econ\u00f4mico e com a chegada da crise no Brasil em uma segunda onda a partir de 2012 a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7a a mudar. Os enfrentamentos dos trabalhadores da obra come\u00e7am a se enfrentar com a classe oper\u00e1ria da constru\u00e7\u00e3o civil com greves contra as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rio. Greves que ao enfrentaram a dura repress\u00e3o do governo chegando a militariza\u00e7\u00e3o completa dos canteiros de obras, como foi o caso de Belo Monte no qual houve pris\u00e3o de trabalhadores e interven\u00e7\u00e3o direta do ex\u00e9rcito. Mas o que predominou foram lutas isoladas e a a\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria do estado.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>3.2 Junho: a onda de indigna\u00e7\u00e3o popular <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A onda de mobiliza\u00e7\u00e3o estudantil em junho de 2013 contra o aumento das passagens abriu uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional. Essa nova situa\u00e7\u00e3o teve at\u00e9 agora ao menos 5 conjunturas. A primeira foi a da eclos\u00e3o do movimento estudantil que se enfrentou diretamente com as for\u00e7as de repress\u00e3o. A segunda se estabelece pela intensa repress\u00e3o de todas as esferas administrativas contra a radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento. A terceira foi greve radicalizada dos garis, professores e condutores. A quarta se estabelece com a unifica\u00e7\u00e3o da burguesia em torna da realiza\u00e7\u00e3o da copa, a derrota da greve dos metrovi\u00e1rios e as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2014.<\/p>\n<p>Atualmente estamos em outra conjuntura, marcada pela crise org\u00e2nica do <em>pacto lulista<\/em>, a radicaliza\u00e7\u00e3o de setores chave da classe trabalhadora contra o desemprego e o sequestro at\u00e9 o momento da indigna\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra o governo pela burguesia que desde 2013 vem disputando politicamente a onda popular de indigna\u00e7\u00e3o. Tudo isso sem que a esquerda independente apresente uma plataforma de luta contra o ajuste e um f\u00f3rum unificado de luta diante da crise pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento da crise econ\u00f4mica mundial as pol\u00edticas antic\u00edclicas e posteriormente o fluxo de capitais externos na busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de lucratividade. Isso permitiu, ap\u00f3s uma intensa queda do PIB em 2009, uma n\u00e3o menos intensa recupera\u00e7\u00e3o no ano seguinte. Nos anos posteriores, a crise econ\u00f4mica mundial come\u00e7a a deslocar o seu centro para a periferia do sistema, fen\u00f4meno que com a perda de arrecada\u00e7\u00e3o do governo federal, devido as medidas de isen\u00e7\u00e3o fiscal, provoca a redu\u00e7\u00e3o da capacidade de expans\u00e3o das pol\u00edticas sociais do governo. Por outro lado, somado a deteriora\u00e7\u00e3o dos ganhos com as pol\u00edticas de redu\u00e7\u00e3o da pobreza monet\u00e1ria devido \u00e0 alta inflacion\u00e1ria, principalmente de alimentos, as terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es estruturais na qual est\u00e3o submetidos os trabalhadores come\u00e7am a emergir de forma explosiva atrav\u00e9s de violentos enfrentamentos entre os trabalhadores das obras do PAC de um lado e patr\u00f5es e governo de outro.<\/p>\n<p>As greves nas obras do PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento) foram os primeiros sinais de que o <em>pacto lulista<\/em> estava por se esgotar. Afinal as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas que o sustentaram por uma d\u00e9cada estavam se exaurindo. Ocorreram greves e manifesta\u00e7\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Jirau e Santo Ant\u00f4nio, em Rond\u00f4nia, na constru\u00e7\u00e3o da refinaria de Pecem, no Cear\u00e1, na constru\u00e7\u00e3o da Refinaria de Abreu e Lima, no Estado de Pernambuco, na Unidade de Tratamento de G\u00e1s de Caraguatatuba, e nas obras da Hidrel\u00e9trica de Mato Grosso do Sul. Mas, essa onda de greves continuou no ano seguinte. Em mar\u00e7o de 2012 os trabalhadores das obras das hidrel\u00e9tricas de Jirau e Santo Ant\u00f4nio em Rond\u00f4nia entraram em greve.<\/p>\n<p>Al\u00e9m destes se mobilizaram oper\u00e1rios nas obras da Plataforma da Petrobras, na Bahia, na obra do est\u00e1dio das Dunas, no Rio Grande do Norte, e do Complexo Petroqu\u00edmico do Rio de Janeiro (Comperj). Houve uma alian\u00e7a com o governo e a patronal para reprimir essa onda de greves, essa alian\u00e7a colocou em pr\u00e1tica desde a repress\u00e3o policial, a criminaliza\u00e7\u00e3o do movimento, passando por pris\u00f5es e demiss\u00e3o pol\u00edtica de ativistas. Trata-se de uma onda de manifesta\u00e7\u00f5es que come\u00e7ou em 2011 e se estendeu at\u00e9 2013.<\/p>\n<p>Trabalhadores dos canteiros de obra lutaram contra baixos sal\u00e1rios, acidentes fatais de trabalho, condi\u00e7\u00f5es totalmente insalubres de trabalho com acidentes fatais, distanciamento das fam\u00edlias, os oper\u00e1rios chegavam a ficar mais de seis meses sem poder deixar os canteiros de obra. Uma onda de indigna\u00e7\u00e3o enfrentou a dura repress\u00e3o da patronal que contou com a cumplicidade do governo federal e a concilia\u00e7\u00e3o e o entreguismo dos dirigentes sindicais, em sua ampla maioria ligados a CUT.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o era apenas nas cidades ou na constru\u00e7\u00e3o civil que a situa\u00e7\u00e3o politica mudava. Os povos ind\u00edgenas chegaram a ocupar simultaneamente mais de 75 fazendas na luta pela demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio ind\u00edgena (Dilma foi uma das presidentes que menos assentamentos e demarca\u00e7\u00f5es de terra realizou). Um dos epis\u00f3dios mais escandalosos da repress\u00e3o do estado que tem Dilma Rousseff (PT) na cabe\u00e7a foi o assassinato do \u00edndio terena no Mato Grosso do Sul em uma reintegra\u00e7\u00e3o de posse em benef\u00edcio do latif\u00fandio, em que atuaram na repress\u00e3o a pol\u00edcia militar do estado e a pol\u00edcia federal.<\/p>\n<p>E assim e por outras raz\u00f5es, o <em>pacto lulista <\/em>perde lentamente a sua sustenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 que a onda de indigna\u00e7\u00e3o de junho\/2013 abre um per\u00edodo de questionamento aberto a essa forma de domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O governo enfrentou em Junho de 2013 uma onda gigantesca de rebeldia protagonizada pela juventude organizada pelo Movimento Passe Livre na luta contra o aumento das passagens. A luta contra o aumento das passagens parecia repetir a din\u00e2mica dos anos anteriores. Passeatas pela cidade que mobilizavam algumas centenas de pessoas mas que depois de algumas semanas de dissipavam por completo. Mas, desta j\u00e1 havia no cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional uma acumula\u00e7\u00e3o de descontentamento pol\u00edtico e social que foi base para que a repress\u00e3o policial e a resist\u00eancia da juventude fossem estopim de uma onda gigante de protestos.<\/p>\n<p>Os atos que se iniciaram no dia 6 de junho de 2013 tinham como pauta os aumentos da passagem e a luta pela tarifa zero, ap\u00f3s a dura repress\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es ganharam a ades\u00e3o de massas e o movimento passa a incorporar diretamente amplos setores sociais e reivindica\u00e7\u00f5es diversas. Frente \u00e0 repress\u00e3o policial ao ato contra o aumento das passagens no dia 13 de junho em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro em outras capitais serviu como estopim para a explos\u00e3o do maior um processo de massas visto desde o Fora Collor de 1992, n\u00e3o apenas em tamanho, mas tamb\u00e9m em politiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s a vit\u00f3ria de redu\u00e7\u00e3o das tarifas de passagens em 23 cidades 1,5 milh\u00f5es de pessoas se manifestaram por todo o pa\u00eds, em capitais, cidades de m\u00e9dio e pequeno porte. As maiores manifesta\u00e7\u00f5es ocorreram no Rio de Janeiro (RJ), com aproximadamente 300 mil, e em S\u00e3o Paulo (SP), com mais de 400 mil pessoas. O cen\u00e1rio pol\u00edtico mudou radicalmente. Mudan\u00e7a que, apesar de deixar os governantes e analistas de gabinete \u201cat\u00f4nitos\u201d, teve motiva\u00e7\u00f5es bem concretas, tais como: crescimento do custo de vida causado pela infla\u00e7\u00e3o, queda do rendimento dos trabalhadores, precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e carestia dos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento o movimento sai vitorioso com a redu\u00e7\u00e3o das passagens em mais de 13 capitais. O governo tentou absorver a onda de protestos com a pol\u00edtica diversionista do plebiscito sobre a reforma pol\u00edtica, de reformas cosm\u00e9ticas no legislativo e da destina\u00e7\u00e3o do royalty do pr\u00e9-sal para educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Mas, a onda de indigna\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deteve e seguiu durante a copa das confedera\u00e7\u00f5es com atos gigantescos, realizados nos arredores das arenas, que chegavam a ter quase a mesma quantidade de pessoas que estavam assistindo os jogos.<\/p>\n<p>No m\u00eas de Julho as centrais sindicais governistas e n\u00e3o-governistas convocaram um dia de manifesta\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds tentando pegar carona na onda de manifesta\u00e7\u00f5es de junho. N\u00e3o houve da parte dos organizadores destes atos, nem dos setores n\u00e3o governistas a preocupa\u00e7\u00e3o de construir a unidade com a juventude de protagonizou junho. Conseguiram mobilizar algumas centenas de trabalhadores mas faltaram a estas manifesta\u00e7\u00f5es a massifica\u00e7\u00e3o e a radicalidade verificada em junho. O leil\u00e3o da bacia de Libra que possui reservas entre oito bilh\u00f5es e 12 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo foi a maior reserva ida a leil\u00e3o em todo o mundo, dando mais um sinal ainda mais claro de privatiza\u00e7\u00e3o como seu antecessor FHC. Diante de uma situa\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima a estagna\u00e7\u00e3o combinada com tend\u00eancia \u00e0 alta da infla\u00e7\u00e3o, o governo Dilma mant\u00e9m uma pol\u00edtica econ\u00f4mica que combina o entreguismo e os ataques aos trabalhadores vistos nos dois mandatos de Lula. Isso \u00e9 fartamente observ\u00e1vel na quest\u00e3o da infraestrutura, nas concess\u00f5es e privatiza\u00e7\u00e3o de rodovias, aeroportos, portos, etc.<\/p>\n<p>A grande onda massiva de indigna\u00e7\u00e3o de Junho n\u00e3o teve grande durabilidade, logo ap\u00f3s a Copa das Confedera\u00e7\u00f5es as manifesta\u00e7\u00f5es continuaram a ocorrer quase que cotidianamente porem sem a mesma quantidade de pessoas. Fator que favoreceu toda a movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos governos para reprimir as manifesta\u00e7\u00f5es que ocorreram no segundo semestre de 2013.<\/p>\n<p>A conjuntura que p\u00f3s-junho foi de endurecimento. Manifestantes presos nos conflitos passam a ser enquadrados como formadores de quadrilha, o uso de m\u00e1scaras nas manifesta\u00e7\u00f5es no Rio de Janeiro \u00e9 proibido, o governo federal passa a atuar em sincronia total com o paulista e fluminense para reprimir manifesta\u00e7\u00f5es juvenis, tais como as ocorridas em S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro no dia 15 de outubro, repress\u00e3o que resultou em centenas de detidos, autuados como participantes do crime organizado e uso de armamento letal, e um endurecimento mais no c\u00f3digo penal para criminaliz\u00e3o dos movimentos sociais, bem maior fortalecimento da institui\u00e7\u00e3o pol\u00edcial com a possibilidade de unifica\u00e7\u00e3o entre todas as for\u00e7as repressivas, inclusive o ex\u00e9rcito, contra grandes manifesta\u00e7oes. Mas, apesar da repress\u00e3o, as manifesta\u00e7\u00f5es seguem praticamente cotidianas durante o segundo semestre do ano de 2013 e seguem perigosamente para o decisivo primeiro semestre de 2014.<\/p>\n<p>As jornadas de junho de 2013 abriram um novo momento pol\u00edtico no qual a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes, que era totalmente desfavor\u00e1vel para os trabalhadores com os pactos conservadores dos sucessivos governos petistas, mudou. Caracterizamos esse processo como uma onda de indigna\u00e7\u00e3o popular, uma rebeli\u00e3o estudantil e popular que incialmente n\u00e3o havia atingido os setores fundamentais da classe trabalhadora, n\u00e3o podendo assim mudar por completo a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes sociais. Apesar de conjunturas de duras contra ofensivas como no caso da repress\u00e3o no final de 2013 e durante a Copa a pacifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das massas foi deixada para traz nessa nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Junho de 2013 trouxe como resultado indel\u00e9vel uma situa\u00e7\u00e3o propicia para processos de radicaliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, descolamento dos aparatos burocr\u00e1ticos, maior polariza\u00e7\u00e3o social e politica.<\/p>\n<p>Uma s\u00e9rie de novos fen\u00f4menos pol\u00edticos ocorreram a partir dessa eclos\u00e3o da onda de indigna\u00e7\u00e3o popular iniciada em junho de 2013. O ano de 2014 se iniciou com a greve dos garis da cidade do Rio de Janeiro. Este setor ultra-precarizado enfrentou aguerridamente &#8211; apesar da pouca tradi\u00e7\u00e3o de luta &#8211; a burocracia sindical que se colocou abertamente contra a greve, o prefeito peemedebista do Rio de Janeiro (Eduardo Paes), a repress\u00e3o policial a mando do governador tamb\u00e9m peemedebista (Sergio Cabral), a justi\u00e7a do trabalho que decretou a greve ilegal, e a amea\u00e7a de demiss\u00e3o, os garis do Rio de Janeiro voltaram ao trabalho ap\u00f3s uma greve que conquistou uma reposi\u00e7\u00e3o salarial de 37%.<\/p>\n<p>As t\u00e1ticas da greve eram discutidas e decididas durante as assembleias e quando a primeira comiss\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o n\u00e3o se demonstrou a altura da luta foi substitu\u00edda tamb\u00e9m em assembleia. Por outro lado, a for\u00e7a do movimento impactou o cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional, colocando a greve no centro das aten\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se pode deixar de considerar que a solidariedade nacional ao movimento e o apoio expl\u00edcito da popula\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro (em pleno carnaval) tamb\u00e9m contribuiu para a vit\u00f3ria inconteste dos garis.\u00a0Essa foi a greve de trabalhadores que depois da onda de indigna\u00e7\u00e3o da juventude em junho de 2013 chamou mais a aten\u00e7\u00e3o por sua radicaliza\u00e7\u00e3o e auto-organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o movimento dos trabalhadores nesta nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o parou por ai! Com a proximidade da Copa do Mundo que se realizaria em junho, uma s\u00e9rie de categorias, como professores da rede estadual do Rio de Janeiro, Condutores e Metrovi\u00e1rios, al\u00e9m de movimentos sociais como o de moradia e os sem terra, que t\u00eam Data Base no primeiro semestre viram a possibilidade de efetivar campanhas salariais que pudessem conquistar ajustes acima da infla\u00e7\u00e3o. No m\u00eas de maio os condutores protagonizaram uma onda de greves radicalizadas. Essa onda iniciada no Rio de Janeiro, Baixada Fluminense, se estendeu para S\u00e3o Paulo, Grande S\u00e3o Paulo, Salvador, Recife, Florian\u00f3polis. Esses movimentos grevistas, particularmente no Rio e em S\u00e3o Paulo, contaram com dois novos e explosivos ingredientes em rela\u00e7\u00e3o as campanhas salariais anteriores.<\/p>\n<p>Os trabalhadores n\u00e3o aceitaram a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o da burocracia sindical com os patr\u00f5es e a justi\u00e7a do trabalho e a partir da\u00ed colocaram em pr\u00e1tica m\u00e9todos radicalizados de luta. Piquetes auto organizados foram realizados nas garagens, \u00f4nibus tiveram os pneus furados e foram abandonados nos corredores de \u00f4nibus. A perda de controle do movimento pela burocracia sindical chegou a tal ponto que em S\u00e3o Paulo obrigou o tribunal regional do trabalho a ir at\u00e9 as garagens em busca de algu\u00e9m da base que pudesse que tivesse legitimidade e para negociar em nome dos trabalhadores. Assistimos a um furac\u00e3o grevista \u00e0 revelia da burocracia sindical e apesar dos tribunais regionais do trabalho decretarem as greves ilegais que fez com que essas greves fossem vitoriosas na maioria dos casos.<\/p>\n<p>Os professores da rede municipal de ensino\u00a0de S\u00e3o Paulo\u00a0realizaram uma greve que durou mais de 40 dias, derrotou\u00a0a trucul\u00eancia do governo Haddad e conquistou um reajuste salarial acima da infla\u00e7\u00e3o. Soma-se a este processo a greve dos funcion\u00e1rios, professores e estudantes das universidades p\u00fablicas que em greve em resposta \u00e0 trucul\u00eancia do\u00a0Conselho de\u00a0Reitores das\u00a0Universidades\u00a0Estatuais\u00a0Paulistas que\u00a0teimou em n\u00e3o\u00a0conceder absolutamente porcentagem alguma de reposi\u00e7\u00e3o salarial.<\/p>\n<p>Parte importante deste momento foi a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores sem teto dirigidos pelo MTST. Esse movimento protagonizou\u00a0passeatas com a participa\u00e7\u00e3o de milhares de trabalhadores em defesa da \u00e1rea denominada Copa do Povo em Itaquera. Movimento que acabou negociando com o governo essa \u00e1rea e a inclus\u00e3o no programa minha casa minha vida do governo federal em troca de n\u00e3o realizarem nenhuma manifesta\u00e7\u00e3o na abertura da copa.<\/p>\n<p>Os metrovi\u00e1rios de S\u00e3o Paulo\u00a0realizaram uma greve entre os dias 5 e\u00a09\u00a0de junho. O governo do estado se negou sistematicamente\u00a0em negociar as reivindica\u00e7\u00f5es da categoria e utilizou amplamente a for\u00e7a repressiva contra os trabalhadores e o\u00a0Tribunal\u00a0Regional do Trabalho\u00a0(TRT)\u00a0imp\u00f4s dur\u00edssimas\u00a0resolu\u00e7\u00f5es\u00a0para quebrar o movimento, como as multas de 100 mil reais por dia de greve, al\u00e9m de\u00a0decretar\u00a0a greve abusiva,\u00a0impondo, a partir da\u00ed, multa di\u00e1ria de 500 mil reais di\u00e1rias). Essa greve ao contr\u00e1rio da maioria das mobiliza\u00e7\u00f5es anteriores acabou sendo derrotada, pois parte dos bens do sindicato foi confiscada e 42 trabalhadores, dentre estes diretores do sindicato, cipeiros e ativistas em geral, foram demitidos. luta acabou sendo um ponto fora da curva, pois a dire\u00e7\u00e3o do sindicato dos metrovi\u00e1rios ao atrasar a greve perdeu a conjuntura mais favor\u00e1vel. Perdeu o momento de radicaliza\u00e7\u00e3o da greve dos condutores no m\u00eas de maio, a greve dos trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo que fizeram uma greve de mais de 40 dias e as mobiliza\u00e7\u00f5es massivas dos sem teto.<\/p>\n<p>Com a aproxima\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo\u00a0houve um processo intenso de unifica\u00e7\u00e3o da classe dominante e dos governantes de todas as agremia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas burguesas em torno do evento, ou seja, inseriu-se em uma conjuntura pol\u00edtica menos favor\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de maio. Esse foi o equ\u00edvoco pol\u00edtico que mais pesou sobre a derrota da greve. A dire\u00e7\u00e3o do sindicato ficou em uma encruzilhada pol\u00edtica, pois n\u00e3o aproveitou o melhor momento em maio para fazer a greve de forma unit\u00e1ria com os rodovi\u00e1rios e com os professores,\u00a0em uma conjuntura em que ainda n\u00e3o havia tanta unidade patronal-governamental.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a derrota da greve dos metrovi\u00e1rios de S\u00e3o Paulo e um intenso processo de repress\u00e3o contra os ativistas a conjuntura que se colocava as v\u00e9speras do in\u00edcio do mundial se constituiu uma unidade total entre a patronal e o governo para garantir a realiza\u00e7\u00e3o do evento. A derrota da greve dos metrovi\u00e1rios que terminou na demiss\u00e3o de 42 trabalhadores e a decis\u00e3o na assembleia do dia 11 de junho de n\u00e3o manter a greve esvaziou as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para que se pudessem realizar a\u00e7\u00f5es mais contundentes.<\/p>\n<p>Por um lado, o movimento contra a Copa teve grande perda num\u00e9rica com a capitula\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) de S\u00e3o Paulo. Dias antes da realiza\u00e7\u00e3o da abertura do evento, o ministro da Secretaria Geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Gilberto Carvalho, viajou at\u00e9 S\u00e3o Paulo para fazer um acordo pessoalmente com a dire\u00e7\u00e3o do MTST. Em troca do da \u00e1rea em Itaquera (Zona Leste da Capital) e da inclus\u00e3o desta \u00e1rea no programa Minha Casa Minha Vida do governo federal a lideran\u00e7a do movimento se comprometeu com o governo em tirar os manifestantes da rua durante a Copa. Como esse era o movimento que ainda estava naquele momento de endurecimento total com greves e manifesta\u00e7\u00f5es colocando um grande n\u00famero de manifestantes na rua a luta na abertura da Copa, no dia 12 de junho em S\u00e3o Paulo, foi esvaziada.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o pol\u00edtica de Dilma e Alckmin era de impedir a qualquer custo que as vias de acesso ao est\u00e1dio da abertura da Copa fossem tomadas pelos manifestantes e impor um clima de terror para que a manifesta\u00e7\u00e3o durante o dia n\u00e3o se ampliasse. Assim, os setores que se atreveram a ir as ruas se manifestar contra os gastos e a realiza\u00e7\u00e3o do evento foram duramente reprimidas pela Tropa de Choque e pelo Exercito, como parte do esquema nacional de repress\u00e3o criado por. A manifesta\u00e7\u00e3o convocada pelo movimento \u201cN\u00e3o vai ter copa\u201d n\u00e3o pode nem se instalar em frente ao metro Vila Carr\u00e3o, pois imediatamente que os ativistas chegaram foram recebidos com uma chuva de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo. O ato convocado para a frente ao Sindicato dos Metrovi\u00e1rios, nas proximidades do metr\u00f4 Tatuap\u00e9, pode se instalar mas foi impedido pela pol\u00edcia de seguir em passeata, a partir da chegada dos manifestantes que estavam no Vila Carr\u00e3o e a provoca\u00e7\u00e3o Black Bloc a pol\u00edcia come\u00e7ou a atacar a manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a abertura da Copa do Mundo manifesta\u00e7\u00f5es &#8211; apesar de seu car\u00e1ter de vanguarda &#8211; ocorreram em todo pais. Protestos que re\u00fanem algumas centenas de pessoas est\u00e3o ocorrendo em todas as cidades-sede (Natal, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Manaus e etc.) da Copa. Em S\u00e3o Paulo, uma manifesta\u00e7\u00e3o do MPL (Movimento Passe Livre) em comemora\u00e7\u00e3o h\u00e1 um ano das manifesta\u00e7\u00f5es massivas que contiveram o aumento das passagens reuniu, no dia 20 de junho, mais de 2 mil pessoas. Mas, a unidade quase total entre a burguesia e o governo que imp\u00f4s uma conjuntura de semiestado de s\u00edtio contra os movimentos sociais durante a Copa n\u00e3o logrou recuperar em termos da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as vivida na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pr\u00e9-junho quando a hegemonia lulista se encontrava em pleno vigor. Assim, mediante uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, o cen\u00e1rio nacional n\u00e3o demoraria em criar fissuras entre a classe dominante e contradi\u00e7\u00f5es desta com o governo que permitissem que o movimento dos trabalhadores e da juventude voltasse a ser protagonista.<\/p>\n<p>Depois da Copa, como era de se esperar o segundo semestre foi polarizado pela quest\u00e3o eleitoral e as poucas lutas que ocorreram ficaram a margem do cen\u00e1rio nacional. O processo eleitoral de 2014 contou com elementos totalmente inesperados como a morte de Eduardo Campos, candidato a presidente pelo PSB a elei\u00e7\u00e3o passou por v\u00e1rios revezes. Marina Silva (assumiu o lugar de Campos na disputa) passou rapidamente para o segundo luar chegando a figurar e se aproximar de Dilma. Depois com os ataques sofridos pela campanha de Dilma caiu irremediavelmente para o terceiro lugar e no segundo turno passou a apoiara a candidatura de A\u00e9cio Neves (PSDB) Dilma acabou vencendo a elei\u00e7\u00e3o no segundo turno com uma diferen\u00e7a de apenas 3%, a menor verificada desde a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 1989.<\/p>\n<p>Houve nessa elei\u00e7\u00e3o al\u00e9m da \u00f3bvia polariza\u00e7\u00e3o entre as duas principais candidaturas o aprofundamento da tend\u00eancia verificada desde 2006, ou seja, o aprofundamento de um fen\u00f4meno que se iniciou em 2006 quando Lula passa a contar com o voto dos trabalhadores mais pobres e da regi\u00e3o nordeste, e a perda de base eleitoral nas regi\u00f5es mais industrializadas. Dilma \u00e9 eleita com uma vota\u00e7\u00e3o esmagadora nas regi\u00f5es norte e nordeste e fragorosamente derrotada nas regi\u00f5es sul e sudeste. Mesmo nas regi\u00f5es perif\u00e9ricas das grandes cidades e nos cintur\u00f5es industriais de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ou seja, a vota\u00e7\u00e3o de Dilma nos grandes cintur\u00f5es industriais demonstra que o <em>lulismo <\/em>perde apoio eleitoral e pol\u00edtico entre setores da burguesia, mais notadamente entre os importadores e financistas, na classe m\u00e9dia das regi\u00f5es sudeste e sul mas tamb\u00e9m entre o proletariado de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> A politica da esquerda: superar sectarismo e economicismo <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para finalizar \u00e9 preciso o analisar a pol\u00edtica da esquerda independente diante do governo que caracterizamos como de coalis\u00e3o preventivo. Na sequ\u00eancia iremos discutir as quest\u00f5es ligadas \u00e0s pol\u00edticas deste setor e os desafios da atualidade diante da crise do <em>pacto lulista<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe uma rela\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica entre caracteriza\u00e7\u00f5es de determinados fen\u00f4menos pol\u00edticos e pol\u00edticas para este fen\u00f4meno, pois a pol\u00edtica de uma organiza\u00e7\u00e3o a depender da situa\u00e7\u00e3o pode ganhar certa autonomia. Por\u00e9m \u00e9 ineg\u00e1vel que as caracteriza\u00e7\u00f5es d\u00e3o os balizamentos e acabam por enquadrar a linha pol\u00edtica de qualquer organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A caracteriza\u00e7\u00e3o de \u201cgoverno em disputa\u201d, \u201cfrente popular\u201d ou mesmo \u201crevolu\u00e7\u00e3o passiva\u201d tem correlatos bastante evidentes na pol\u00edtica das organiza\u00e7\u00f5es menos ou mais atuantes no no campo da esquerda.As correntes que analisam o governo como em disputa, MST, O Trabalho, DS, pensam que Dilma (ou a CUT) pode se inclinar a esquerda e desenvolver uma pol\u00edtica de reformas a favor dos trabalhadores, as que pensam que se trata de uma frente popular, PSTU e Socialismo e Liberdade (PSOL), alimentam um esquema de que essa forma de governo por conter classes sociais distintas carrega uma contradi\u00e7\u00e3o latente e que pode a qualquer momento criar uma crise em seu interior, assim as exig\u00eancias que tome medidas progressistas seria central na pol\u00edtica. Al\u00e9m das pol\u00edticas que derivam diretamente da caracteriza\u00e7\u00e3o equivocada do governo, de outra forma, temos tamb\u00e9m presente uma concep\u00e7\u00e3o marcada pelo processo de superestrutura\u00e7\u00e3o que atinge a totalidade da esquerda que est\u00e1 inserida nos aparatos sindicais, populares e estudantis a medida que esses aparatos estiveram nos \u00faltimos anos envolvidos na mobiliza\u00e7\u00e3o efetiva dos trabalhadores. Complementar a esse problema, temos o fen\u00f4meno do economicismo, postura que adv\u00e9m de uma adapta\u00e7\u00e3o da linha pol\u00edtica das correntes pol\u00edticas ao n\u00edvel de consci\u00eancia imediato dos trabalhadores que tendem a lutar em um primeiro momento por suas demandas especificas.<\/p>\n<p>Cabe as correntes revolucion\u00e1rias permanentemente a partir do n\u00edvel de consci\u00eancia e das demandas imediatas elaborar sa\u00eddas pol\u00edticas e apresenta-las aos trabalhadores, n\u00e3o tem sido essa a pratica que temos assistido. N\u00e3o se apresentam sa\u00eddas pol\u00edticas como forma de educar politicamente camadas mais amplas dos trabalhadores no cotidiano e nem em momentos de crise na qual as plataformas pol\u00edticas s\u00e3o decisivas para abrir caminhos mais avan\u00e7ados de luta. Vamos nos dedicar a an\u00e1lise sobre a pol\u00edtica do PSTU porque dentre as correntes da esquerda independente hoje figura como o agrupamento que tem mais influ\u00eancia sobre o conjunto da vanguarda e em alguns setores do movimento de massas. Neste sentido vamos nos dedicar a abordagem equivocada dessa organiza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao processo de reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento no primeiro mandato do governo Lula; a crise pol\u00edtica do \u201cmensala\u00e7\u00e3o\u201d e a crise do Senado; ao processo de resist\u00eancia dos trabalhadores diante dos ataques patronais a partir da crise econ\u00f4mica mundial; a sua postura em rela\u00e7\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es de junho e sua pol\u00edtica eleitoral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.1 Recomposi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e o partido revolucion\u00e1rio <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar da chegada de Lula ao planalto ter iniciado uma experi\u00eancia de desilus\u00e3o com entre os trabalhadores, ela abre as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a constru\u00e7\u00e3o de alternativas de massas opostas ao projeto petista.<\/p>\n<p>O PT enquanto agrupamento pol\u00edtico mesmo ap\u00f3s a expuls\u00e3o de correntes minorit\u00e1rias no final na virada da d\u00e9cada da d\u00e9cada de 1980 e o processo de adapta\u00e7\u00e3o a ordem do capital durante os anos 90 n\u00e3o significou perda de base de sustenta\u00e7\u00e3o eleitoral ou pol\u00edtica no interior do classe trabalhadora. Mas, essa capacidade de aglutina\u00e7\u00e3o come\u00e7a a mudar com a elei\u00e7\u00e3o de Lula em 2002.<\/p>\n<p>Esse fato encerra na pr\u00e1tica a expectativa de que um governo do PT pudesse realizar reformas sociais, econ\u00f4mica ou pol\u00edticas. Claro que existe uma dist\u00e2ncia significativa entre esse fato pol\u00edtico e a percep\u00e7\u00e3o subjetiva da ampla vanguarda e das massas de que \u00e9 necess\u00e1rio construir outros instrumentos de luta superando o PT e a CUT. Disso depende um processo de experi\u00eancia real que conte dentre outros fatores da capacidade de constru\u00e7\u00e3o de alternativas da parte dos setores da esquerda que se mantem independentes.<\/p>\n<p>A reforma da previd\u00eancia logo no in\u00edcio do primeiro mandato de Lula colocou objetivamente um setor da classe trabalhadora em rota direta de colis\u00e3o com o governo. O que provocou um processo de recomposi\u00e7\u00e3o apesar de limitado mas que ocorreu em duas frentes: um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico e um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o sindical. Mas, este processo de recomposi\u00e7\u00e3o foi limitado por raz\u00f5es objetivas e subjetivas. A reforma da previd\u00eancia n\u00e3o atingiu o conjunto dos trabalhadores uma vez que essa reforma veio completar o processo iniciado por FHC, assim quem ficou na al\u00e7a de mira foram os funcion\u00e1rios p\u00fablicos federais, mesmo porque a reforma do funcionalismo estadual ficou a cargo dos seus respectivos governos, o que possibilitou a Lula dividir o \u00f4nus da reforma da previd\u00eancia com os governos estaduais.<\/p>\n<p>Os funcion\u00e1rios p\u00fablicos passam a ter a necessidade de apresentar n\u00e3o apenas tempo de servi\u00e7o para se aposentar, o tempo de servi\u00e7o \u00e9 substitu\u00eddo pelo tempo de contribui\u00e7\u00e3o e o se acrescenta como fator obrigat\u00f3rio a idade m\u00ednima. Como os trabalhadores do setor privado j\u00e1 haviam passado este processo a luta contra a reforma acabou que limitada aos funcion\u00e1rios p\u00fablicos federais, a reforma colocou o funcionalismo p\u00fablico em p\u00e9 de igualdade com os demais setores dos trabalhadores, percep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que acabou sendo fator de conten\u00e7\u00e3o de um poss\u00edvel processo de irrita\u00e7\u00e3o generalizada, deixando os funcion\u00e1rios p\u00fablicos federais isolados.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da ruptura com o governo essa ocorreu em apenas um setor do funcionalismo p\u00fablico sobre o conjunto da classe trabalhadora e sem que houvesse um enfrentamento pol\u00edtico radicalizado. Ent\u00e3o, a ruptura pol\u00edtica como o governo ocorreu apenas em um setor do funcionalismo p\u00fablico, aquele que foi diretamente atacado durante a reforma da previd\u00eancia, os batalh\u00f5es pesados do movimento oper\u00e1rio e o movimento popular continuou como base do governo. Como desdobramento imediato dessa situa\u00e7\u00e3o tivemos a ruptura de um setor do funcionalismo p\u00fablico com o governo, o PT e a CUT. Do ponto de vista da organiza\u00e7\u00e3o da esquerda surgiu com a expuls\u00e3o dos deputados petistas que colaram contra a reforma.<\/p>\n<p>A expuls\u00e3o dos parlamentares petistas que votaram contra a reforma no Congresso poderia ter se desdobrado em um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e sindical que pudesse &#8211; apesar de n\u00e3o se tratar por raz\u00f5es objetivas de um deslocamento de massas &#8211; ter organizado sindicalmente um amplo setor de vanguarda e politicamente reagrupado em uma mesma organiza\u00e7\u00e3o as principais correntes revolucion\u00e1rias. Mas, por decis\u00f5es pol\u00edticas equivocadas esse processo tem sido atrasado desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a expuls\u00e3o dos chamados \u201cradicais do PT\u201d se abriu uma discuss\u00e3o em toda a vanguarda e a possibilidade de construir uma organiza\u00e7\u00e3o comum da esquerda n\u00e3o governista. Mas isso n\u00e3o se concretizou principalmente por uma linha sect\u00e1ria levada a cabo pela dire\u00e7\u00e3o do PSTU. As discuss\u00f5es em torno da constru\u00e7\u00e3o do novo partido foram interrompidas a partir da exig\u00eancia deste partido de que as discuss\u00f5es program\u00e1ticas em torno do novo partido tivessem como condi\u00e7\u00e3o previa a garantia de que o novo partido seria organizado necessariamente em torno do centralismo democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Evidentemente que as correntes e os ex-parlamentares que tinha acabado de romper com o PT n\u00e3o aceitaram essa proposta e come\u00e7aram a imediatamente coletar assinaturas para legalizar um novos partido sem o PSTU, assim surge o PSOL que contou desde o in\u00edcio com correntes pol\u00edticas trotskistas, como o MES, CST, uma ruptura a DS e correntes que acabavam de romper com o PSTU, como Socialismo e Liberdade e o MTL (Movimento Terra Trabalho e Liberdade), al\u00e9m de intelectuais renomados como Carlos Nelson Coutinho, Ricardo Antunes, Milton Temer e etc. Diante da recente ruptura com o PT e tendo pela frente um fen\u00f4meno pol\u00edtico totalmente novo para a vanguarda \u00e9 evidente que uma serie de discuss\u00f5es em torno do programa e dos crit\u00e9rios de funcionamento deveriam ser feitos com mais cuidado.<\/p>\n<p>A principal responsabilidade sobre n\u00e3o termos conseguido avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa para o conjunto da vanguarda neste momento foi da dire\u00e7\u00e3o do PSTU. Pois, ao querer impor o centralismo democr\u00e1tico para um recente processo de reagrupamento da esquerda socialista acabou perdendo a oportunidade de se credenciar politicamente em um setor mais amplo de militantes.Isso porque essa corrente tem uma vis\u00e3o um tanto quanto esquem\u00e1tica sobre a quest\u00e3o do \u201ccentralismo democr\u00e1tico\u201d e do \u201cpartido leninista\u201d.<\/p>\n<p>Um partido que come\u00e7ava a se organizar n\u00e3o poderia ser desde o in\u00edcio mais que um partido-movimento com correntes pol\u00edticas internas este \u00e9 em muitos casos caminho natural de diversos partidos que formaram durante as ultimas d\u00e9cadas, e como estamos vendo atualmente na Europa. Outro fator \u00e9 que como seria nesse partido a corrente majorit\u00e1ria poderia dar a batalha no seu interior para que esse partido fosse ganhando um perfil revolucion\u00e1rio mais claro, com isso os setores mais oportunistas perderiam espa\u00e7o no seu interior. Mas, ao inv\u00e9s disso quis impor com um ultimato o regime interno do partido. Fez duas exig\u00eancias inaceit\u00e1veis, a de que as discuss\u00f5es program\u00e1ticas tivessem como condi\u00e7\u00e3o inicial o centralismo democr\u00e1tico e de que o processo de legaliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 ocorresse a partir de 2005. Aceitando-se a segunda exig\u00eancia, se por ventura o processo de discuss\u00e3o program\u00e1tica n\u00e3o avan\u00e7asse at\u00e9 o final de 2005 as demais correntes que ao serem expulsas do PT ficaram sem legalidade para disputar as elei\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo ano as obrigando necessariamente a pedir legenda para o PSTU, uma situa\u00e7\u00e3o de fragiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que ningu\u00e9m poderia aceitar.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o central \u00e9 que a dire\u00e7\u00e3o do PSTU queria usar a condi\u00e7\u00e3o de maior corrente da esquerda e a legalidade para impor \u00e0s demais correntes a sua hegemonia sem que fosse para isso necess\u00e1rio um processo paciente de experi\u00eancia na luta de classes, constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e organizativa comum com os demais. A partir da\u00ed houve uma ruptura dos setores que acabavam de romper com o PT com o f\u00f3rum destinado a discutir a constru\u00e7\u00e3o do novo partido foi inevit\u00e1vel. O PSTU ao mesmo tempo que impunha na pr\u00e1tica a ruptura com as correntes que haviam sido expulsas do PT tentou impulsionar um \u201cmovimento por um Novo Partido\u201d, essa pol\u00edtica fracassou e o PSTU e a avers\u00e3o dos setores mais amplos da vanguarda a essa organiza\u00e7\u00e3o cresceu. O sectarismo continuou se manifestando em medidas inacredit\u00e1veis, tal como a de orientar os seus militantes e simpatizantes em n\u00e3o apoiarem a legaliza\u00e7\u00e3o do PSOL, um crime pol\u00edtico se considerando a necessidade e a possibilidade de construir um espa\u00e7o de unifica\u00e7\u00e3o da esquerda.<\/p>\n<p>Todavia sem um setor que pudesse contrabalan\u00e7ar as tend\u00eancias mais oportunistas, manifestadas inicialmente pelo setor ligado a Heloisa Helena, no interior do PSOL o partido foi constru\u00eddo desde a origem com a perspectiva de se construir um novo PT das origens, partido amplo que pudesse se equilibrar entre reforma e revolu\u00e7\u00e3o. Sem a coluna de militantes do PSTU que por in\u00e9pcia da sua dire\u00e7\u00e3o ficou fora desse processo e a disputa em seu interior para que o partido se inclinasse a esquerda ocorreu de maneira muito d\u00e9bil. A partir de um programa pol\u00edtico rebaixado, foi estabelecido um regime interno federalista no qual os mandatos parlamentares tivesse mais poder dos que os organismos partid\u00e1rios (candidatos descumprem abertamente decis\u00f5es congressuais) e uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica na qual o parlamentarismo \u00e9 o centro da vida pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Um instrumento que unificasse a esquerda \u00e9 fundamental em um cen\u00e1rio mundial marcado por rebeli\u00f5es populares em v\u00e1rias partes do mundo, com forte incid\u00eancia na Europa, o debate sobre a necessidade de trabalhar pelo reagrupamento da esquerda revolucion\u00e1ria come\u00e7a a ser reconhecida por v\u00e1rias correntes pol\u00edticas. Agora, no Brasil, a partir da crise do pacto lulista se redobra a necessidade de colocar de p\u00e9 um partido revolucion\u00e1rio que possa disputar a hegemonia de setores da classe trabalhadora e da juventude. No entanto, ao contr\u00e1rio do que pensa a dire\u00e7\u00e3o do PSTU a constru\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio n\u00e3o decorre de medidas administrativas, como a exig\u00eancia pr\u00e9via de funcionamento inicial em torno do \u201ccentralismo democr\u00e1tico\u201d.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia hist\u00f3rica ligada a constru\u00e7\u00e3o demonstra que a constru\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio depende da capacidade do partido e de sua dire\u00e7\u00e3o de compreender politicamente as tarefas postas, construir estrat\u00e9gias de luta, se ligar aos setores mais din\u00e2micos da classe oper\u00e1ria e da juventude e com eles realizar experi\u00eancias pol\u00edticas de luta. \u00c9 claro que um partido revolucion\u00e1rio estabelecido tem a necessidade de se organizar em torno desse crit\u00e9rio \u2013 que pode assumir v\u00e1rias formas a depender da luta de classes e da etapa de constru\u00e7\u00e3o desse partido &#8211; possa colocar em pr\u00e1tica a sua linha pol\u00edtica, mas essa n\u00e3o \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o quando se trata do in\u00edcio do reagrupamento de correntes revolucion\u00e1rias.<\/p>\n<p>Pela necessidade premente diante de desafios no Brasil e no mundo cada vez maiores e imediatos da esquerda revolucion\u00e1ria, pensamos que \u00e9 necess\u00e1rio que as principais organiza\u00e7\u00f5es da esquerda independente, como o PSTU e as correntes marxistas do PSOL, assumam a tarefa de abrir na vanguarda a discuss\u00e3o sobre a necessidade de iniciar a construir de f\u00f3runs voltados para a constru\u00e7\u00e3o de um partido marxista revolucion\u00e1rio &#8211; e n\u00e3o se trata de construir outro guarda-chuvas oportunista como o PSOL, esse partido desde o in\u00edcio tem que ser constru\u00eddo a partir de um programa socialista e uma concep\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria de transforma\u00e7\u00e3o social &#8211; com direito de tend\u00eancia que supere a pulveriza\u00e7\u00e3o que vive a esquerda revolucion\u00e1ria hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.2 A recomposi\u00e7\u00e3o e unifica\u00e7\u00e3o do sindicalismo classista<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do ponto de vista sindical a reforma da previd\u00eancia de Lula foi o maior ataque direto aos servidores p\u00fablicos, o que evidentemente gerou uma onda de desilus\u00e3o deste setor com o governo, surgindo ai um setor que pudesse ser a base social para o lan\u00e7amento de uma central oper\u00e1ria alternativa. Esse fen\u00f4meno foi identificado por todos os setores mas foi o PSTU que teve o m\u00e9rito de levar \u00e0 frente a constru\u00e7\u00e3o dessa alternativa sindical quando a CUT apoiou o governo na reforma da previd\u00eancia.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a linha de construir a Conlutas a esquerda do PSOL se dividiu. Um setor apostou na constru\u00e7\u00e3o da nova central e outro em formar a Intersindical como uma frente de sindicatos para realizar uma media\u00e7\u00e3o entre os que j\u00e1 haviam rompido com a CUT\/UNE e os setores que ainda n\u00e3o tinham dado esse passo. No entanto, apesar do acerto pol\u00edtico em apostar na constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa \u00e0 burocracia governista, a dire\u00e7\u00e3o do PSTU dirigiu esse processo como um uma estrat\u00e9gia novamente sect\u00e1ria e ultimatista. Pois, da mesma forma que na discuss\u00e3o sobre a constru\u00e7\u00e3o de um novo partido a linha de constru\u00e7\u00e3o dessa alternativa sindical esteve marcada desde o in\u00edcio por uma linha ultimatista. Em vez de criar as condi\u00e7\u00f5es para se aproximar desse setor a pol\u00edtica da dire\u00e7\u00e3o do PSTU foi a de realizar uma campanha no sentido de quem estava na CUT deveria ser considerado governista. O PSTU chegou a defender que n\u00e3o poderia haver unidade de a\u00e7\u00e3o com os setores que n\u00e3o haviam rompido com a CUT.<\/p>\n<p>Uma atitude incrivelmente sect\u00e1ria pois desconsiderava a necessidade de desenvolver uma pol\u00edtica para contribuir com a ruptura com a CUT e de mobilizar efetivamente a massa de trabalhadores, uma vez que cerca de 3.200 sindicatos, representando algo em torno a 22 milh\u00f5es de trabalhadores se organizam sob a bandeira da CUT, j\u00e1 na Conlutas temos cerca de 180 sindicatos filiados. Essa pol\u00edtica mesmo diante das sucessivas experi\u00eancias com o governo e com a CUT que demonstrou a inviabilidade de disputar a vanguarda por dentro destes aparatos, acabou por dificultar qualquer aproxima\u00e7\u00e3o sindical dos setores independentes.<\/p>\n<p>A outra oportunidade perdida de unifica\u00e7\u00e3o sindical da esquerda independente por motivos de orienta\u00e7\u00e3o sect\u00e1ria foi a do Congresso da Classe Trabalhadora (CONCLAT) ocorrido na cidade de Santos (SP) em 2010. Os debates principais em torno desse Congresso de Unifica\u00e7\u00e3o entre Conlutas, Intersindical e agrupamentos menores era sobre o car\u00e1ter da nova central, se organizaria apenas trabalhadores ou trabalhadores e movimentos populares. Da outra parte estava novamente o PSTU com o debate de que o congresso deveria funcionar a partir do \u201ccentralismo democr\u00e1tica\u201d no qual as vota\u00e7\u00f5es deveriam ser resolvidas por vota\u00e7\u00e3o de maioria e minoria.<\/p>\n<p>J\u00e1 no final dos trabalhos, foi a vota\u00e7\u00e3o sobre qual seria o nome da nova central que rompeu o Congreso. O PSTU queria garantir que o nome da nova central tivesse \u201cConlutas\u201d em sua composi\u00e7\u00e3o, assim a nova central deveria se chamar CSP-Conlutas, por ser uma marca que n\u00e3o poderia se perder, de acordo com o argumento dos dirigentes desse partido. Mas o que se queria de fato era deixar no nome do novo agrupamento sindical a marca de uma hegemonia que n\u00e3o tinha sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica efetiva. Durante essa vota\u00e7\u00e3o os delegados das demais correntes se levantaram e se retiraram da plen\u00e1ria. A partir da\u00ed houve a implos\u00e3o efetiva do congresso que se dividiu ao menos em tr\u00eas partes. A Conlutas se manteve com o acr\u00e9scimo de CSP no nome, a Intersindical se manteve e a CST formou o Juntos para lutar. Ou seja, um congresso que era para unificar a esquerda independente acabou por refor\u00e7ar a fragmenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Do ponto de vista sindical o PSTU repetiu o mesmo erro cometido durante a possibilidade de unifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a partir da expuls\u00e3o dos parlamentares radicais do PT em 2003. Mas uma vez o crit\u00e9rio do \u201ccentralismo democr\u00e1tico\u201d foi utilizado de maneira equivoca, pois da mesma forma que na unifica\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria a constru\u00e7\u00e3o do regime de funcionamento n\u00e3o pode se dar de maneira externa a experi\u00eancia comum.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que temas de princ\u00edpio, tais como a independ\u00eancia com os patr\u00f5es e com o governo, a mobiliza\u00e7\u00e3o e a democracia de base, por exemplo, n\u00e3o se pode abrir m\u00e3o. Por\u00e9m, o esquematismo da dire\u00e7\u00e3o do PSTU ao querer impor de forma brutal todos os temas &#8211; e provocar uma ruptura pelo nome da organiza\u00e7\u00e3o &#8211; as demais correntes se demonstrou um erro pol\u00edtico sem precedentes e atrasou por muitos anos a unifica\u00e7\u00e3o da correntes pol\u00edticas independentes em torno um \u00fanico agrupamento que possa come\u00e7ar a fazer frente a hegemonia da CUT em um momento em que as lutas dos trabalhadores diante da crise org\u00e2nica da hegemonia lulista se estabelece de maneira incontorn\u00e1vel.<\/p>\n<p>Estamos agora em um momento em que o governo e os patr\u00f5es diante da crise econ\u00f4mica voltam a carga contra os trabalhadores atrav\u00e9s de ajustes que tiram direitos, demiss\u00f5es e arrocho salarial. Por outro lado, estamos em um momento em que os trabalhadores e a juventude est\u00e1 resistindo aos ataques. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que o movimento sindical independente desenvolva uma estrat\u00e9gia de unifica\u00e7\u00e3o que re\u00fana em um mesmo f\u00f3rum sindical todos os setores para a partir da\u00ed poder disputar a hegemonia da dire\u00e7\u00e3o do movimento dos trabalhadores com a CUT que no novo cen\u00e1rio de agudiza\u00e7\u00e3o da crise ter\u00e1 cada vez mais dificuldades em controlar a luta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.3 Pol\u00edtica frente as crises institucionais <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante das crises pol\u00edtica ligadas a corrup\u00e7\u00e3o &#8211; \u201cmensal\u00e3o\u201d, corrup\u00e7\u00e3o no congresso e agora o esquema de corrup\u00e7\u00e3o nos contratos da Petrobr\u00e1s &#8211; a sa\u00edda proposta n\u00e3o se faz desde o campo da necessidade de construir uma sa\u00edda socialista transicional para estas crises. Durante a crise do \u201cmensal\u00e3o\u201d, em 2005, o PSTU, defendeu um sistema de consignas que ia dos \u201cFora todos\u201d at\u00e9 \u201cPor um Brasil socialista\u201d. Nessa formula\u00e7\u00e3o se perdia o time da situa\u00e7\u00e3o mais geral da luta de classes, pois se desconsidera a expectativa dos trabalhadores na democracia burguesa e que durante a crise do \u201cmensal\u00e3o\u201d n\u00e3o houve nenhuma mobilzia\u00e7\u00e3o popular ou dos trabalhadores.<\/p>\n<p>J\u00e1 em meio a crise do Senado Federal, em 2009, devido aos \u201catos secretos\u201d &#8211; medidas tomadas pela Presid\u00eancia do Senado para contratar para o Congresso filiados pol\u00edticos e parentes \u2013 A postura do PSTU mudou de forma dr\u00e1stica. Diferentemente do epis\u00f3dio do mensal\u00e3o na qual o PSTU apresentou uma proposta maximalista para a quest\u00e3o, na crise do Senado a formula\u00e7\u00e3o apresentada foi de \u201cFim do Senado, por uma C\u00e2mara \u00fanica\u201d. Formula\u00e7\u00e3o essa que mal arranhava o problema. O \u201cFim do Senado&#8230;\u201d n\u00e3o pode ser uma bandeira em si, deve encontrar uma s\u00e9rie de reivindica\u00e7\u00f5es que conduzam a uma perspectiva de ruptura revolucion\u00e1ria, ao contr\u00e1rio disto o programa para este momento fica restrito aos marcos da institucionalidade burguesa. Por outro lado, era importante apresentar tarefas que fossem pontes entre a situa\u00e7\u00e3o atual e as reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias.<\/p>\n<p>Na crise de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras denunciada a partir da opera\u00e7\u00e3o da Policia Federal (PF) denominada de \u201cLava Jato\u201d em refer\u00eancia a lavagem de dinheiro desviado da empresa feita por doleiros envolve as principais empreiteira do pais, pol\u00edticos da alta c\u00fapula de partidos como o PT, PMDB, PSDB, PP e Solidariedade (partidos da base aliada do governo e de oposi\u00e7\u00e3o). Neste esquema as empreiteiras pagavam propina para diretores da empresa indicados por partidos governistas que por sua vez parte era repassada para os cofres dos partidos, calcula-se que foi movimentado nesse esquema algo em torno a 10 bilh\u00f5es. Mais uma vez o PSTU defende como bandeira pol\u00edtica o \u201cFim do Senado\u201d desligada de bandeiras que possam mobilizar em torno de sa\u00eddas pol\u00edticas mais gerais para a crise.<\/p>\n<p>O principal problema da linha do PSTU \u00e9 que em meio a crises pol\u00edticas \u00e9 n\u00e3o levar em conta que o levantamento de demandas democr\u00e1ticas deve ser parte de um sistema de consignas transicionais e nos momentos mais radicais de luta sua politica sindical \u00e9 m\u00ednima. Por exemplo, a de uma Assembleia Constituinte imposta e conformada pela mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Diante dos seguidos exemplos e experi\u00eancias com o Estado burgu\u00eas, incluindo o seu parlamento, n\u00e3o apresentar uma proposta aos trabalhadores que v\u00e1 para al\u00e9m da democracia formal consiste em um rebaixamento do programa que s\u00f3 pode ser explicado pela adapta\u00e7\u00e3o desta dire\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00f3gica dominante da democracia formal. Assim, mais uma vez o crit\u00e9rio de utilizar um sistema de consignas que v\u00e1 das mais imediatas at\u00e9 as mediatas \u00e9 perdido. Durante essas crises levantamos pol\u00edticas que tivessem voltada para o atendimento das necessidades prementes dos trabalhadores, de democratiza\u00e7\u00e3o e as de supera\u00e7\u00e3o socialista, por\u00e9m sem desconsiderar que n n\u00e3o podemos propor tarefas que significam o fortalecimento do regime, tal como \u201cFim do Senado\u201d pura e simplesmente e nem deixar de considerar que vivemos sob a \u00e9gide da democr\u00e1tica formal.<\/p>\n<p>Em meio a uma situa\u00e7\u00e3o de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre o governo nenhuma reforma pol\u00edtica que saia dessa tens\u00e3o ir\u00e1 favorecer os trabalhadores, pois governo e oposi\u00e7\u00e3o burguesa apesar das diferen\u00e7as pontuais querem realizar micro reformas para aperfei\u00e7oar a m\u00e1quina que alija as massas trabalhadores do poder, al\u00e9m de reduzir o espa\u00e7o da oposi\u00e7\u00e3o que representa os trabalhadores (PSTU, PSOL e PCB). Como em outros momentos e, principalmente, agora que entramos em uma crise org\u00e2nica da hegemonia <em>lulista<\/em> pensamos que qualquer sistema de consignas para a crise pol\u00edtica deve conter a consigna de Assembleia Constituinte Soberana e Independente imposta pela mobiliza\u00e7\u00e3o direta dos trabalhadores contribui para que os trabalhadores encontrem caminhos para substituir a representa\u00e7\u00e3o formal (burguesa) por uma estrutura de poder baseada na mobiliza\u00e7\u00e3o e em organismos de representa\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.4 A situa\u00e7\u00e3o exige mais do que <em>economicismo <\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aqui entramos no terreno da pol\u00edtica para o movimento sindical. Nesse quesito predominou o economicismo, ou seja, as demandas imediatas dos trabalhadores s\u00e3o tratadas de forma a n\u00e3o considerar a necessidade de politiza\u00e7\u00e3o constante das lutas. N\u00e3o se trata apenas de propaganda voltada para a forma\u00e7\u00e3o de setores mais amplos dos trabalhadores, o que tem grande import\u00e2ncia tamb\u00e9m, mas de mediante as lutas procurar formas de generalizar o problema, tentar transformar demandas importantes em lutas nacionais que comovam os que n\u00e3o tamb\u00e9m os que n\u00e3o fazem parte de determinada categoria em luta.<\/p>\n<p>Comecemos por destacar a postura do PSTU em rela\u00e7\u00e3o a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (polo industrial que fica entre S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro) no primeiro semestre de 2008 que enfrentaram um pacote de ataques da empresa. Este foi um dos exemplos de processo de mobiliza\u00e7\u00e3o que permitia e exigia uma pol\u00edtica que rompesse com o isolamento a que foram submetidos estes trabalhadores, mas o PSTU ao n\u00e3o romper com a sua l\u00f3gica corporativa e imediatista tratou de manter a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores da GM restrita geograficamente a S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos e, a seu controle pol\u00edtico. No final desse processo foi imposta pela empresa a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores tempor\u00e1rios.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 2009 a GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos vai, justamente, atacar primeiro o elo mais fraco: os mesmos contratados em car\u00e1ter tempor\u00e1rios ap\u00f3s a luta de maio\/junho de 2008 que descrevemos a cima. Ao n\u00e3o avaliar concretamente o que significava a introdu\u00e7\u00e3o dos contratos tempor\u00e1rios, a dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o preparou os trabalhadores a contento para os futuros enfrentamentos com a patronal, fato que contribuiu para que n\u00e3o houvesse resist\u00eancia diante da demiss\u00e3o de mais de 800 trabalhadores.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o preparar os trabalhadores para o que viria n\u00e3o foi capaz nem de impulsionar uma real resist\u00eancia diante das demiss\u00f5es, pois, diante da demiss\u00e3o de mais de 800 trabalhadores tempor\u00e1rios na GM a \u00fanica pol\u00edtica desenvolvida pelo sindicato dos metal\u00fargicos de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos foi realizar uma paralisa\u00e7\u00e3o de duas horas em frente \u00e1 f\u00e1brica e um ato no centro da cidade que reuniu no m\u00e1ximo 2 mil pessoas. A falta de resposta pol\u00edtico-sindical \u00e0 altura na demiss\u00e3o na GM foi seguida da demiss\u00e3o massiva (4.200) dos metal\u00fargicos da Embraer (f\u00e1brica de avi\u00f5es), tamb\u00e9m em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos<\/p>\n<p>No segundo semestre de 2009, logo ap\u00f3s a demiss\u00e3o de milhares de metal\u00fargicos em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, a Conlutas apresenta um balan\u00e7o triunfalista em rela\u00e7\u00e3o a sua campanha salarial por ter conseguido uma reposi\u00e7\u00e3o salarial em torno de 1% a mais do que os metal\u00fargicos do ABC que s\u00e3o dirigidos pela CUT. O que pode diferenciar verdadeiramente uma alternativa sindical n\u00e3o s\u00e3o acordos salariais com alguns pontos percentuais superiores ao da burocracia sindical governista, mas uma postura sindical totalmente distinta que seja capaz de lutar por demandas especificas e articular as categorias em luta. No segundo semestre deste mesmo ano uma s\u00e9rie de categorias, como carteiros, banc\u00e1rios, metal\u00fargicos, fizeram greves simult\u00e2neas sem que o PSTU propusesse a unifica\u00e7\u00e3o destes trabalhadores.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o de politiza\u00e7\u00e3o desse setor se restringe apenas em exigir do governo federal que atenda as demandas populares, trabalhistas ou estudantis, nunca se faz um apelo de politiza\u00e7\u00e3o ao conjunto diretamente aos trabalhadores ou a juventude para que tal luta seja alvo de uma campanha nacional, isso nem quando a luta atinge diretamente a sua base, como na \u00faltima greve dos trabalhadores da GM de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, por exemplo. A compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que entramos logo ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de outubro de 2014 exige respostas pol\u00edticas. Isto implica, necessariamente, que as lutas em curso, e as que ir\u00e3o surgir, se convertam em lutas profundamente pol\u00edticas, o que \u00e9 estrat\u00e9gico para a recomposi\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio e estudantil. ~<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.5 Diante da onda de junho&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabemos que as jornadas de Junho e a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica aberta a partir da\u00ed colocaram maiores desafios para esquerda. Foi uma onda de indigna\u00e7\u00e3o juvenil compar\u00e1vel \u00e0s passeatas massivas pelo \u201cFora Collor\u201d de 1992 e em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de enfrentamento as manifesta\u00e7\u00f5es contra a ditadura militar do final da d\u00e9cada de 1970 mas do ponto de vista do patamar pol\u00edtico ficou aqu\u00e9m destas express\u00f5es, pois se tratou de uma onda de indigna\u00e7\u00e3o popular depois de duas d\u00e9cadas defensiva do movimento de massas.<\/p>\n<p>Foram longos vinte anos de retrocesso pol\u00edtico que n\u00e3o pode ser desconsiderado se queremos compreender a din\u00e2mica da luta de classes desde ent\u00e3o. Para recuperar o tempo pol\u00edtico perdido ser\u00e1 necess\u00e1rio alguns anos de luta de classes para se recuperar o patamar de consci\u00eancia pol\u00edtica de d\u00e9cadas anteriores. Essa nova etapa da luta de classes no Brasil vai, obviamente, conviver com momentos de refluxo, mas algumas caracter\u00edsticas fundamentais v\u00e3o ser mantidas, tais como: predisposi\u00e7\u00e3o de amplos setores de massas em tomar as ruas e se envolverem diretamente nos temas pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Essa nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica colocou\/coloca a prova a prova organiza\u00e7\u00f5es, sua estrutura militante, dire\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas. Mas tamb\u00e9m a partir da maior atividade da classe trabalhadora e da juventude cria condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para o desenvolvimento de correntes que passem por essas provas com uma linha pol\u00edtica correta. Fazemos essa digress\u00e3o para dizer que \u00e9 necess\u00e1rio a partir dessa considera\u00e7\u00e3o, compreender que essa nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de maior atividade da classe trabalhadora n\u00e3o ir\u00e1 se inclinar para o socialismo para a esquerda revolucion\u00e1ria sem uma dura e prolongada batalha das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1ria no interior desse movimento que necessariamente nasce de forma difusa, contradit\u00f3ria e com elementos de atraso. Assim, como forma de aferi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas neste ponto iremos tratar brevemente da forma como o PSTU interviu nas jornadas de junho.<\/p>\n<p>No <em>18 de Brum\u00e1rio<\/em>, texto que analisa a revolu\u00e7\u00e3o francesa que instaurou o governo mon\u00e1rquico em 1848, mas que tem grande valor hist\u00f3rico e te\u00f3rico para se compreender a din\u00e2mica da luta de classes e particularmente a din\u00e2micas das crises pol\u00edticas, Marx afirma que os homens n\u00e3o fazem a hist\u00f3ria em condi\u00e7\u00f5es ideais, mas nas que s\u00e3o tramitadas pelo passado, que \u201ca tradi\u00e7\u00e3o de todas as gera\u00e7\u00f5es mortas pesa sobre o c\u00e9rebro dos vivos como um pesadelo\u201d e que nas crises pol\u00edticas os homens tomam emprestado do passado seus nomes, suas palavras de ordem e sua linguagem (<em>O 18 de Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte<\/em>, Express\u00e3o popular, 2008). Em nossa opini\u00e3o, essa \u201clei hist\u00f3rica\u201d demonstrada e analisada por Marx pode ser uma importante chave para compreendermos porque setores importantes de massa assumem a bandeira e o hino nacional como mascaras para manifestarem sua indigna\u00e7\u00e3o. Claro que h\u00e1 setores que se utilizam das mesmas roupagens de forma esclarecida e identificada conscientemente com as ideologias dominantes, mas n\u00e3o \u00e9 esse o caso das multid\u00f5es que est\u00e3o indo \u00e0s ruas.<\/p>\n<p>Sobre o atraso pol\u00edtico de um setor da juventude n\u00e3o podemos desconsiderar que desde a derrota da greve dos petroleiros em 1995 entramos em uma etapa de refluxo do movimento dos trabalhadores no qual a ofensiva neoliberal deu \u00e0 t\u00f4nica. Se fizermos um recuo ainda maior, ap\u00f3s a queda do muro de Berlim houve uma brutal ofensiva ideol\u00f3gica para \u201cprovar\u201d que n\u00e3o havia alternativa ao capitalismo e que as experi\u00eancias \u201csocialistas\u201d fracassaram e eram contra toda forma de individualidade e democracia. Mas, explos\u00e3o de rebeldia popular inaugurou uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional, colocando o Brasil no circuito internacional de rebeli\u00f5es populares, o que criou uma situa\u00e7\u00e3o tremendamente mais favor\u00e1vel para a reconstru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia classista e socialista de massas.<\/p>\n<p>Com a massifica\u00e7\u00e3o do movimento e a disputa pela direita levaram alguns setores a tirarem conclus\u00f5es equivocadas sobre o processo e as tarefas que decorriam dele. A come\u00e7ar pela dire\u00e7\u00e3o do movimento, o MPL, que suspende a convoca\u00e7\u00e3o de todas a mobiliza\u00e7\u00e3o afirmando que a pauta da redu\u00e7\u00e3o da passagem j\u00e1 havia sido conquistada e as manifesta\u00e7\u00f5es estavam tomando rumos contr\u00e1rios \u00e0 proposta do MPL. N\u00e3o foi apenas o MPL que tiraram conclus\u00f5es impressionistas e equivocadas sobre o processo. Organiza\u00e7\u00f5es como PSOL e PSTU tamb\u00e9m se equivocam sobre rumos do movimento e pol\u00edticas diante da explos\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de passividade das massas.<\/p>\n<p>A pol\u00eamica com o <em>economicismo<\/em> do PSTU continua, pois permeia toda a pol\u00edtica dessa organiza\u00e7\u00e3o. Durante as manifesta\u00e7\u00f5es de junho essa organiza\u00e7\u00e3o apresentou uma pauta baseada apenas em reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que tinha como s\u00edntese um \u201cplano econ\u00f4mico dos trabalhadores\u201d. Pol\u00edtica essa que n\u00e3o conseguiu rivalizar com a manobra diversionista do governo federal e do PT que por sua parte apresentava a proposta de \u201creforma pol\u00edtica\u201d atrav\u00e9s de um plebiscito como forma de esvaziar a pol\u00edtica das ruas.<\/p>\n<p>O necess\u00e1rio era apresentar uma linha que contivesse uma formula\u00e7\u00e3o totalizante (pol\u00edtica) para a situa\u00e7\u00e3o. Medidas anticapitalistas s\u00e3o necess\u00e1rias para qualquer situa\u00e7\u00e3o de crise pol\u00edtica mas um conjunto de medias soltas no espa\u00e7o n\u00e3o pode se realizar, \u00e9 necess\u00e1rio um f\u00f3rum de luta que as coloque em pr\u00e1tica. Por isso, diante da perspectiva de sa\u00edda bonarpartista apresentada por Dilma, uma tentativa de di\u00e1logo direto com as massas na rua que n\u00e3o passasse por f\u00f3rum de discuss\u00e3o coletiva alguma. Por isso,consideramos correto naquele momento retomar a agita\u00e7\u00e3o de um Constituinte soberana e independente dos patr\u00f5es e do governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.6 Sectarismo e politica eleitoral<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es foram outro momento decisivo da nova situa\u00e7\u00e3o para testar a pol\u00edtica da esquerda. Em meio a deteriora\u00e7\u00e3o, a nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica p\u00f3s junho se acumulava o processo de desgaste do governo abriu-se um campo maior de disputa no interior das massas para a esquerda. No entanto, essa situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e eleitoral mais favor\u00e1vel n\u00e3o foi aproveitada, pois as maiores organiza\u00e7\u00f5es da esquerda independente (PSOL e PSTU) n\u00e3o formaram um frente eleitoral para participar da elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A incapacidade de construir uma frente eleitoral nestas elei\u00e7\u00f5es demonstrou mais uma vez a profundidade dos problemas de formula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da esquerda socialista no Brasil. Perdeu-se oportunidades de amplia\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o eleitoral entre as massas, de avan\u00e7ar no terreno cada vez mais necess\u00e1rio terreno da unifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das esquerda e inser\u00e7\u00e3o em setores da classe trabalhadora \u2013 como os dos cord\u00f5es industriais em todo pa\u00eds &#8211; que come\u00e7am a n\u00e3o votar mais no PT. Situa\u00e7\u00e3o essa que ocorreu devido a uma combina\u00e7\u00e3o de sectarismo(PSTU) e oportunismo(PSOL). Em meio a uma polariza\u00e7\u00e3o burguesa n\u00e3o vista desde 1989 perdemos a oportunidade de apresentar uma alternativa socialista unificada para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mesmo com a pol\u00edtica do PSOL ficar com a candidatura a presidente e vice, o que parece ter sido o motivo real da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o do PSTU de entrar na alian\u00e7a com o PSOL, faltou desta organiza\u00e7\u00e3o uma batalha para que todas as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais fizessem parte da constru\u00e7\u00e3o pela base da frente de esquerda para as elei\u00e7\u00f5es. O c\u00e1lculo do PSTU era de que poderia obter uma quantidade de votos similar ao do PSOL, como sabemos hoje esse c\u00e1lculo eleitoral passou longe do resultado das urnas que deu ao PSOL 1,5% dos votos e ao PSTU 0,9%.<\/p>\n<p>A esquerda socialista perdeu a possibilidade de dialogar mais amplamente com os setores de massas na primeira elei\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a rebeli\u00e3o de junho de 2013 e capitalizar parte da base oper\u00e1ria e da juventude que PT vem perdendo. N\u00e3o compreendeu que a tarefa central nas elei\u00e7\u00f5es deste ano, que era necess\u00e1rio fazer um amplo chamado para que a esquerda revolucion\u00e1ria constru\u00edsse um movimento capaz de criar uma chapa que representasse de fato os milh\u00f5es de jovens e trabalhadores que desde Junho protagonizam um hist\u00f3rico processo de lutas.<\/p>\n<p>Perdeu-se um espa\u00e7o pol\u00edtico valioso para se apresentar um programa socialista para uma imensa massa de jovens e trabalhadores, que est\u00e3o cada vez mais descontentes com a pol\u00edtica tradicional, essa posi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o contribui em nada para preparar as lutas que ir\u00e3o enfrentar o \u201crem\u00e9dio amargo\u201d do ajuste p\u00f3s-eleitoral. Ou seja, perdeu-se a oportunidade de apresentar uma sa\u00edda socialistas unificada para os trabalhadores e jovens radicalizados em um momento em que j\u00e1 se esbo\u00e7ava a terminal do pacto lulista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4.7 A crise de hegemonia: unidade e protagonismo politico dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 caracterizamos que a partir de Junho de 2013 superamos a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica reacion\u00e1ria (de refluxo quase total do movimento de massas) vivida no Brasil durante os anos de auge do <em>pacto lulista<\/em>. Uma mudan\u00e7a na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que n\u00e3o conseguiu alterar por completo a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes mas que abriu um patamar muito superior de politiza\u00e7\u00e3o da sociedade que se manifesta no aumento da quantidade e variedade de manifesta\u00e7\u00f5es, na radicalidade das lutas com paralisa\u00e7\u00f5es constantes de rodovias, greves com piquetes, sabotagens e ocupa\u00e7\u00f5es e etc.<\/p>\n<p>A crise econ\u00f4mica no Brasil combinada com a onda de rebeldia de 2013, denominada a seu tempo por n\u00f3s como um processo de semi-rebeli\u00e3o popular, rompeu com a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica reacion\u00e1ria que vivemos durante mais de dez anos e inaugurou uma nova situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que, por sua vez, n\u00e3o conseguiu alterar completamente a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes. Apesar de n\u00e3o termos entrado em uma situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de rebeldia generalizada, ou em uma situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-revolucion\u00e1ria, como quer determinados analistas, de l\u00e1 para c\u00e1, momentos de relativa tranquilidade s\u00e3o interrompidos com uma atividade massiva e radicalizada dos trabalhadores e da juventude n\u00e3o vista h\u00e1 anos em nosso territ\u00f3rio. Houve conjunturas de ascenso do movimento, conjunturas de fortalecimento do governo e endurecimento com as lutas e agora uma nova fase no interior dessa situa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo marcada pela crise org\u00e2nica do <em>lulismo <\/em>que tem com desdobramento uma polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que at\u00e9 agora est\u00e1 sendo capitaneada pela direita.<\/p>\n<p>A perda de sustenta\u00e7\u00e3o do governo est\u00e1 ligada a irrefre\u00e1vel recess\u00e3o, perda de capacidade de pagamento dos juros da d\u00edvida, desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, infla\u00e7\u00e3o e crescimento do desemprego. Os setores da classe m\u00e9dia alta se afetam com a deprecia\u00e7\u00e3o cambial e s\u00e3o os que est\u00e3o mobilizando multid\u00f5es contra o governo. Dilma tentou reagir com um pacto de medidas anticorrup\u00e7\u00e3o mas as den\u00fancias ligadas a opera\u00e7\u00e3o \u201cLava Jato\u201d n\u00e3o param de atingir o governo e o PT.<\/p>\n<p>Estamos em meio a uma crise essa que mesmo que n\u00e3o se desdobrar em um impeachment de Dilma do poder tende a significar um longo per\u00edodo de indefini\u00e7\u00f5es e polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Podemos dizer assim que estamos diante de uma crise pol\u00edtica org\u00e2nica pela combina\u00e7\u00e3o entre a deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, perda de apoio popular e de base parlamentar e mobiliza\u00e7\u00f5es de rua.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de 2014 entramos em uma nova conjuntura e o pacto lulista entra definitivamente em uma crise estrutural. N\u00e3o se trata de qualquer conjuntura, pois se constitui uma combina\u00e7\u00e3o superior entre os problemas pol\u00edticos e econ\u00f4micos ao verificado at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. A crise pol\u00edtica at\u00e9 a elei\u00e7\u00e3o de Dilma podia ser camuflada e ter os seus efeitos dilu\u00eddos porque at\u00e9 o momento n\u00e3o os elementos da crise \u2013 tais como o crescente desemprego e os ataques diretos a direitos conquistados &#8211; n\u00e3o se demonstravam t\u00e3o explosivos como agora. Dilma ganhou a elei\u00e7\u00e3o com o argumento de que a oposi\u00e7\u00e3o iria aplicar pol\u00edticas neoliberais, cortar direitos e acabar com pol\u00edticas sociais. No entanto, a primeira medida do governo foi elevar a taxa de juros, seguida da nomea\u00e7\u00e3o de um \u201cnot\u00f3rio\u201d economista neoliberal para titular do Minist\u00e9rio da Fazenda. Em seguida, para garantir um super\u00e1vit prim\u00e1rio de 1,5% em 2015 anunciou restri\u00e7\u00e3o de direitos trabalhista como o acesso ao seguro desemprego, a pens\u00e3o por morte e outros. Para coroar a linha abertamente neoliberal, o governo no final do ano contingenciou 30% do or\u00e7amento federal.<\/p>\n<p>Esse pilar de sustenta\u00e7\u00e3o do governo tem se deteriorado rapidamente. Apenas no primeiro m\u00eas deste ano foram demitidos mais de 30 mil trabalhadores, n\u00famero este que se soma aos milhares de demitidos na ind\u00fastria metal\u00fargica, na constru\u00e7\u00e3o civil e agora no setor de servi\u00e7os.Mas, a resist\u00eancia dos trabalhadores j\u00e1 se faz notar pelas greves radicalizadas da classe oper\u00e1ria industrial contra demiss\u00f5es, nos servi\u00e7os p\u00fablicos, como a dos professores do Estado do Paran\u00e1 e nas mobiliza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores contra as demiss\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o civil e rebeli\u00e3o nacional dos caminhoneiros por reajuste no frete, contra o aumento do DIESEL e condi\u00e7\u00f5es de trabalho. No in\u00edcio do ano fomos agradavelmente surpreendidos pela resist\u00eancia radicalizada dos oper\u00e1rios da Volkswagen de S\u00e3o Bernardo do Campo contra a demiss\u00e3o de 800 trabalhadores. No m\u00eas de janeiro uma greve que contou com uma incr\u00edvel disposi\u00e7\u00e3o de luta dos trabalhadores que realizaram a greve no interior da f\u00e1brica, piquetes di\u00e1rios, arrast\u00f5es no seu interior e manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Depois de 11 dias de greve a empresa cedeu e reincorporou os trabalhadores. Processo similar ocorreu na General Motor de S\u00e3o Jose dos Campos no m\u00eas seguinte. Ap\u00f3s o an\u00fancio de que a empresa iria desligar 784 trabalhadores que estavam layout os oper\u00e1rios da f\u00e1brica resolveram entrar em greve no interior da f\u00e1brica. Garantindo a paralisa\u00e7\u00e3o completa da f\u00e1brica depois de dias a empresa recuou das demiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das greves radicalizadas e vitoriosas dos trabalhadores da Volks (S\u00e3o Bernardo do Campo) e da GM (S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos) contra as demiss\u00f5es em massa &#8211; processos que trazem a classe oper\u00e1ria industrial para a cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional depois de mais de uma d\u00e9cada de apatia total \u00b4- as demiss\u00f5es nas obras e empresas contratadas pela Petrobr\u00e1s a partir do esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o envolvendo partidos, empresa e prestadores de servi\u00e7o, devido \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o de pagamentos a luta contra o desemprego ocorrem em um cen\u00e1rio em que h\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o explosiva, de fatores pol\u00edticos e econ\u00f4micos que colocou o governo Dilma contra a parede. Este elemento \u00e9 o que gera maior agita\u00e7\u00e3o sindical que se bem aproveitada pode se desdobrar em uma luta pol\u00edtica importante contra as medidas do governo e que se coloque como alternativa a polariza\u00e7\u00e3o com o governo que est\u00e1 sendo protagonizada atualmente pela direita.<\/p>\n<p>Diante da perda de protagonismo do governo que perdeu base social e pol\u00edtica e apesar da radicaliza\u00e7\u00e3o vista nas ultimas greves quem est\u00e1 de posse da iniciativa pol\u00edtica \u00e9 a classe dominante. Isso ficou claro no ato do dia 15 de mar\u00e7o quando cerca de 2 milh\u00f5es de pessoas sa\u00edram \u00e0s ruas para se mobilizar contra o governo. O sucesso das convoca\u00e7\u00f5es contou com a participa\u00e7\u00e3o da grande m\u00eddia que dava notas constantes sobre as manifesta\u00e7\u00f5es com tom de convoca\u00e7\u00e3o. Esses atos, apesar do total apoio pol\u00edtico n\u00e3o foram convocados diretamente pelos partidos da oposi\u00e7\u00e3o burguesa (PSDB ou DEM) mas sim pelas redes sociais atrav\u00e9s de movimentos neoconservadores intitulados como \u201cBrasil Livre\u201d, \u201cVem pra rua\u201d e outros. Mas, ficou claro que a composi\u00e7\u00e3o social majorit\u00e1ria dessa manifesta\u00e7\u00e3o era de classe m\u00e9dia, eleitores de A\u00e9cio Neves e com renda acima de cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/p>\n<p>Esse setor se mobiliza contra a corrup\u00e7\u00e3o na Petrobr\u00e1s e pelo impeachment de Dilma a partir de uma plataforma pol\u00edtica claramente reacion\u00e1ria. Ap\u00f3s as manifesta\u00e7\u00f5es Dilma para retomar algum protagonismo pol\u00edtico anuncia um pacote de medidas anticorrup\u00e7\u00e3o. Mas, o centro da sua pol\u00edtica \u00e9 o ajuste fiscal que se dirige principalmente contra os trabalhadores. Dilma em qualquer entrevista diz que o ajuste fiscal \u00e9 fundamental para o pa\u00eds. Assim, o governo tenta usar, contraditoriamente, as manifesta\u00e7\u00f5es para fortalecer e tentar aprovar no Congresso o ajuste fiscal. Repetindo nas ruas e nas pesquisas o fen\u00f4meno<\/p>\n<p>das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, na qual o PT perdeu apoio eleitoral em todas as regi\u00f5es oper\u00e1rias, setores da classe trabalhadora descontentes apesar de minorit\u00e1rios no 15M tamb\u00e9m foram mobilizados. Pesquisas deram conta que apesar das manifesta\u00e7\u00f5es serem predominantemente de classe m\u00e9dia e eleitores de A\u00e9cio o \u00edndice de popularidade de Dilma em todas as camadas sociais e regi\u00f5es do pa\u00eds estava caindo vertiginosamente para \u00edndices politicamente perigosos. Por outro lado, desde o come\u00e7o do ano uma s\u00e9rie de lutas dos trabalhadores ocorre por todo o pa\u00eds. O problema \u00e9 que por falta de alternativa oposicionista com capacidade de mobilizar as massas com uma plataforma pela esquerda essa onda de manifesta\u00e7\u00f5es apesar de serem majoritariamente de classe m\u00e9dia come\u00e7a a arrastar ainda secundariamente outros setores sociais.<\/p>\n<p>Estamos em uma conjuntura de polariza\u00e7\u00e3o entre o governo e a oposi\u00e7\u00e3o de direita extremamente perigoso do ponto de vista pol\u00edtico, pois sem uma interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da classe trabalhadora e da juventude corremos o risco de que a situa\u00e7\u00e3o de maior politiza\u00e7\u00e3o desde os anos 90 ao menos sequestrada pela direita. Est\u00e1 conjuntura pol\u00edtica tende a se estender, pois as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas n\u00e3o permitem uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida para este ou para aquele lado. A polariza\u00e7\u00e3o entre governo e oposi\u00e7\u00e3o de direita ir\u00e1 marcar o cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional nos pr\u00f3ximos meses. O que n\u00e3o podemos permitir \u00e9 que os trabalhadores fiquem encurralados ou mesmo sendo disputados pelo governo ou pela direita tradicional sem que uma alternativa classista seja constru\u00edda em um momento de efervesc\u00eancia de lutas. A grande ausente na atual conjuntura s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es mais subjetivas para a mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da classe trabalhadora, pois amplos setores das massas trabalhadoras j\u00e1 est\u00e3o em marcha contra os ataques as suas condi\u00e7\u00f5es de vida nas greves por emprego, sal\u00e1rio ou direitos. Mas, a grande contradi\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 a de que quem tem capacidade real de mobilizar grandes contingentes al\u00e9m da grande m\u00eddia est\u00e1 no interior do governo, estamos falando da CUT, MST e MTST. Por isso a esquerda independente tem que desenvolver uma combina\u00e7\u00e3o entre exig\u00eancia e denuncia sobre a dire\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica destes aparatos.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora e a juventude t\u00eam sabido responder a altura estes ataques em seus lugares de trabalho e repudiando demiss\u00f5es em massa, pol\u00edticas de arrocho salarial e corte de gastos em educa\u00e7\u00e3o. Mas, sozinhos, sem as organiza\u00e7\u00f5es da esquerda, n\u00e3o podem elaborar as sa\u00eddas pol\u00edticas para fazer frente a burguesia, os meios de comunica\u00e7\u00e3o e os movimentos neodireitistas que t\u00eam conseguido atrav\u00e9s de atos massivos que mobiliza a classe m\u00e9dia e come\u00e7a a mobilizar setores da classe trabalhadora para pressionar o governo a ir mais funda nos ajustes de interesse patronal e polarizar o cen\u00e1rio pol\u00edtico. Ent\u00e3o, o problema que temos aqui \u00e9 que, apesar da classe trabalhadora estar mobilizada e at\u00e9 utilizando m\u00e9todos radicalizados de luta, n\u00e3o dispomos at\u00e9 o momento de um instrumento capaz de organizar o descontentamento de amplas massas trabalhadores e populares com o governo pela esquerda e com uma plataforma pol\u00edtica independente dos patr\u00f5es e do governo.<\/p>\n<p>Est\u00e1 conjuntura pol\u00edtica tende a se estender, pois as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas n\u00e3o permitem uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida para este ou para aquele lado. Assim, a polariza\u00e7\u00e3o entre governo e oposi\u00e7\u00e3o de direita ir\u00e1 marcar o cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional nos pr\u00f3ximos meses. O que n\u00e3o podemos permitir \u00e9 que os trabalhadores fiquem encurralados ou mesmo sendo disputados pelo governo ou pela direita tradicional sem que uma alternativa classista seja constru\u00edda em um momento de efervesc\u00eancia de lutas.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o, na qual as for\u00e7as reacion\u00e1rias conseguem colocar milh\u00f5es nas ruas enquanto a esquerda coloca poucas centenas, n\u00e3o acontece por raz\u00f5es de ordem objetiva, pela derrota da classe ou pela aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es objetivas. A grande ausente aqui s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es subjetivas, pois amplos setores das massas trabalhadoras j\u00e1 est\u00e3o em marcha contra os ataques as suas condi\u00e7\u00f5es de vida nas greves por emprego, sal\u00e1rio ou direitos.<\/p>\n<p>Diante de uma situa\u00e7\u00e3o na qual o <em>pacto lulista<\/em> est\u00e1 em uma crise terminal, do fortalecimento da direita e da retomada do movimento oper\u00e1ria com seus m\u00e9todos de luta hist\u00f3rico \u00e9 necess\u00e1rio retomar a proposta de unificar pol\u00edtica e sindicalmente a esquerda radical. Pensamos que a experi\u00eancia da luta de classes nestes \u00faltimos 14 anos demonstra que toda estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o que n\u00e3o passe pela unifica\u00e7\u00e3o das correntes revolucion\u00e1rias no Brasil um tremendo equ\u00edvoco. Esse mesmo crit\u00e9rio serve para a organiza\u00e7\u00e3o sindical. Assim, as maiores organiza\u00e7\u00f5es da esquerda, PSOL e PSTU, t\u00eam uma enorme responsabilidade na tarefa de lutar pela constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa classista ampla para os trabalhadores e para a juventude combativa.<\/p>\n<p>Precisamos romper com a in\u00e9rcia e dar passos concretos para nesse momento criar uma ampla frente de luta e uma plataforma pol\u00edtica que represente os interesses fundamentais da classe trabalhadora. \u00c9 fundamental se atentar para o fato que estamos em um momento espec\u00edfico de polariza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores pela direita, situa\u00e7\u00e3o que exige a unidade imediata &#8211; com a estrat\u00e9gia mais do que necess\u00e1ria de unificar definitivamente o sindicalismo independente &#8211; entre CSP-Conlutas, Intersindical e outras organiza\u00e7\u00f5es independes um espa\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da juventude independente dos patr\u00f5es e do governo.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio criar uma alavanca para mobilizar setores mais amplos dos trabalhadores e da juventude para poder exigir que os principais sindicatos mobilizem contra os ataques do governo. Um espa\u00e7o sindical independente para criar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para fazer uma exig\u00eancia a altura de que a CUT organize a luta contra os ajustes &#8211; \u00e9 improv\u00e1vel que leve essa pol\u00edtica at\u00e9 o final \u2013 e de quebra disputar parte da sua base da CUT. CSP-Conlutas, Intersindical e demais organiza\u00e7\u00f5es independentes devem convocar com urg\u00eancia um encontro para organizar um calend\u00e1rio de lutas e uma plataforma pol\u00edtica m\u00ednima alternativa frente o avan\u00e7o da direita.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o podemos desconsiderar que hoje \u00e9 a CUT que dirige os batalh\u00f5es mais importantes da classe trabalhadora. Sabemos que essa burocracia governista e pelega vai ter que dar alguma satisfa\u00e7\u00e3o para a sua base diante das demiss\u00f5es, arrocho salarial e perda de direitos. Desenvolver uma pol\u00edtica sistem\u00e1tica de disputa com essa central governista \u00e9 decisivo para esse momento da luta de classes. Essa disputa n\u00e3o pode ser feita sem o fortalecimento do sindicalismo independente, sem a supera\u00e7\u00e3o da pulveriza\u00e7\u00e3o que nos encontramos atualmente, sem um enfrentamento pol\u00edtico cotidiano contra o governo e a burocracia cutista que o apoia. Por isso, pensamos que \u00e9 necess\u00e1rio construir al\u00e9m de uma ferramenta de mobiliza\u00e7\u00e3o e de exig\u00eancia\/den\u00fancia sobre a burocracia governista uma abordagem pol\u00edtica que dialogue com os setores que est\u00e3o saindo a luta contra o ajuste, as demiss\u00f5es em massa e o arrocho salarial.<\/p>\n<p>Abordagens sect\u00e1rias como as vistas em um editorial recente do Opini\u00e3o Socialista (peri\u00f3dico do PSTU) afirmando que \u201ca classe trabalhadora tem obriga\u00e7\u00e3o de ficar contra esse governo e apoiar o governo Dilma \u00e9 fazer o jogo da direita\u201d e que \u201capoiando o governo n\u00e3o se luta de maneira coerente contra o ajuste fiscal\u201d \u00e9 um exerc\u00edcio propagand\u00edstico sect\u00e1rio e est\u00e9ril, pois n\u00e3o considera o movimento que parte da classe trabalhadora j\u00e1 est\u00e1 fazendo no sentido de romper com o <em>lulismo <\/em>e o setor que ainda pode romper com ele n\u00e3o o fara por \u201cobriga\u00e7\u00e3o\u201d mas se convencer da necessidade e viabilidade de outra alternativa pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Por isso, o centro da pol\u00edtica hoje \u00e9 construir a luta efetiva em torno do ajuse fiscal e a partir dai apresentar um programa contra a corrup\u00e7\u00e3o que tenha como centro a pris\u00e3o de todos os envolvidos e principalmente a estatiza\u00e7\u00e3o das empresas corruptas sob o controle dos trabalhadores. De outro lado, a crise pol\u00edtica exige da nossa parte uma sa\u00edda total para se contrapor a armadilha da reforma eleitoral do governo e da burguesia que tem como um dos objetivos centrais eliminar o espa\u00e7o pol\u00edtico da esquerda socialista, por isso \u00e9 necess\u00e1rio apresentar como sa\u00edda pol\u00edtica para a crise uma Constituinte soberana e Independente imposta e constitu\u00edda atrav\u00e9s da luta direta dos trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em primerio lugar queremos considerar que a coalis\u00e3o preventiva eleita em 2002 foi um arranjo entre a burocracia lulista e setores da classe dominante com o objetivo de prevenir uma poss\u00edvel rebeli\u00e3o no in\u00edcio dos anos 2000. Em consequ\u00eancia desse processo, no que pese muitos processos de resist\u00eancias dos trabalhadores e da juventude, as massas foram mantidos sob o mais duro controle. Essa situa\u00e7\u00e3o foi sustentada pelo crescimento econ\u00f4mico mundial de quase uma d\u00e9cada e pelas politicas sociais-liberiais que focaram uma parte \u00ednfima do or\u00e7amento em politicas de combate a mis\u00e9ria e de acesso ao consumo, sem o qual o arranjo politico n\u00e3o poderia ter se mantido hegem\u00f4nico por uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Com o fim do ciclo internacional da alta das commodities (que garantia renda estatal que poderia sem enfrentar os interesses do capital desenvolver politicas de compensa\u00e7\u00e3o social), recess\u00e3o, infla\u00e7\u00e3o e crescimento do desemprego associada a uma situa\u00e7\u00e3o de polariza\u00e7\u00e3o politica aberta durante os protestos juvenis de 2013 o pacto lulista entra em crise estrutural, pois n\u00e3o h\u00e1 mais sustenta\u00e7\u00e3o politica de nenhum dos setores que o apoiava. Essa crise depois da elei\u00e7\u00e3o de outubro de 2014 vem se agravando permanentemente. O governo logo ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es mais disputadas desde 1989 anuncia um ajuste draconiano contra a recess\u00e3o que atinge em cheio os trabalhadores.<\/p>\n<p>A popularidade do governo cai em n\u00edveis pol\u00edticos perigosos a partir da perda de <em>confian\u00e7a no governo, das <\/em>den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras e da crise econ\u00f4mica que se demonstra profunda e de dif\u00edcil dissipa\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a burguesia pressiona o governo para que aprofunde atrav\u00e9s do ajuste fiscal os ataques a classe trabalhadora. A classe dominante a partir dessa situa\u00e7\u00e3o de fragilidade do governo de crise de dire\u00e7\u00e3o do movimento dos trabalhadores e a juventude exerce forte press\u00e3o sobre o governo atrav\u00e9s da corriqueira atividade ideol\u00f3gica atrav\u00e9s da m\u00eddia e das institui\u00e7\u00f5es e agora atrav\u00e9s de atos de rua que reunim milhares de pessoas. Apesar dos trabalhadores estarem resistindo aos ataques em todo o pais atrav\u00e9s de lutas muitas vezes radicalizadas a aus\u00eancia de instrumentos de luta que possam substituir os aparatos governistas (PT e CUT) faz com que os trabalhadores fiquem na defensiva ou sejam capitaneados pela classe dominante.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o exige da esquerda uma resposta politica imediata. Respota esta que passa por convocar a unidade de todos os setores contra o ajuste fiscal, o arrocho salarial, o desemprego, o projeto terceiriza\u00e7\u00e3o\/precariza\u00e7\u00e3o e pela puni\u00e7\u00e3o de todos os envolvidos nos escandos de corrup\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista politico precisamos apresentar alternativas aos ataques pol\u00edticos que est\u00e3o vindo na forma da Reforma Politica do Governo e do Congresso e apresentar uma proposta de constituinte independente e soberana. \u00c9 preciso tamb\u00e9m dar passos concretos no processo de unifica\u00e7\u00e3o entre CSP-Conlutas e Intersindical, esse deve ser o grande tema no pr\u00f3ximo congresso da CSP-Conlutas, e retomar o debate sobre a necessidade diante da crise poltica generalizada construir um um partido que unifique a esquerda revoluion\u00e1ria no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a0 \u00a0 A natureza do lulismo: da revolu\u00e7\u00e3o passiva \u00e0 frente popular &nbsp; As principais correntes de opini\u00e3o apresentam formula\u00e7\u00f5es distintas sobre os governos petistas. Nossoobjetivo \u00e9 encontrar uma chave anal\u00edtica que permita construir uma caracteriza\u00e7\u00e3o mais totalizante, que passe pela governabilidade, e o fator social, pelas movimenta\u00e7\u00f5es da superestrutura a base da sociedade, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":5023,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[122,1657,1643],"tags":[1119,1644],"class_list":{"0":"post-5022","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-america-latina-y-el-caribe","8":"category-brasil","9":"category-revista-socialismo-o-barbarie","10":"tag-antonio-soler","11":"tag-revista-sob-29"},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Brasil: A crisis da hegemonia lulista - Socialismo o Barbarie<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Brasil: A crisis da hegemonia lulista - Socialismo o Barbarie\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"&nbsp; \u00a0 \u00a0 A natureza do lulismo: da revolu\u00e7\u00e3o passiva \u00e0 frente popular &nbsp; As principais correntes de opini\u00e3o apresentam formula\u00e7\u00f5es distintas sobre os governos petistas. Nossoobjetivo \u00e9 encontrar uma chave anal\u00edtica que permita construir uma caracteriza\u00e7\u00e3o mais totalizante, que passe pela governabilidade, e o fator social, pelas movimenta\u00e7\u00f5es da superestrutura a base da sociedade, [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Socialismo o Barbarie\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2015-05-24T16:41:06+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2019-11-20T13:52:10+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/dilma.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"286\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"176\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"SOB\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"SOB\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tiempo de lectura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"136 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022\"},\"author\":{\"name\":\"SOB\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/bc1c3b321d47ed092405949c77e35a8e\"},\"headline\":\"Brasil: A crisis da hegemonia lulista\",\"datePublished\":\"2015-05-24T16:41:06+00:00\",\"dateModified\":\"2019-11-20T13:52:10+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022\"},\"wordCount\":27142,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2015\\\/05\\\/dilma.jpg\",\"keywords\":[\"Antonio Soler\",\"Revista SoB 29\"],\"articleSection\":[\"Am\u00e9rica Latina\",\"Brasil\",\"Revista Socialismo o Barbarie\"],\"inLanguage\":\"es\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022\",\"name\":\"Brasil: A crisis da hegemonia lulista - Socialismo o Barbarie\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2015\\\/05\\\/dilma.jpg\",\"datePublished\":\"2015-05-24T16:41:06+00:00\",\"dateModified\":\"2019-11-20T13:52:10+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"es\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2015\\\/05\\\/dilma.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2015\\\/05\\\/dilma.jpg\",\"width\":286,\"height\":176},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?p=5022#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Portada\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Brasil: A crisis da hegemonia lulista\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/\",\"name\":\"Socialismo o Barbarie\",\"description\":\"Sitio web de la corriente internacional Socialismo o Barbarie\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"es\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/#organization\",\"name\":\"Socialismo o Barbarie\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"es\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/02\\\/soblogoweb-2025.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/02\\\/soblogoweb-2025.png\",\"width\":450,\"height\":161,\"caption\":\"Socialismo o Barbarie\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/bc1c3b321d47ed092405949c77e35a8e\",\"name\":\"SOB\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.socialismoobarbarie.org\\\/?author=8\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Brasil: A crisis da hegemonia lulista - Socialismo o Barbarie","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022","og_locale":"es_ES","og_type":"article","og_title":"Brasil: A crisis da hegemonia lulista - Socialismo o Barbarie","og_description":"&nbsp; \u00a0 \u00a0 A natureza do lulismo: da revolu\u00e7\u00e3o passiva \u00e0 frente popular &nbsp; As principais correntes de opini\u00e3o apresentam formula\u00e7\u00f5es distintas sobre os governos petistas. Nossoobjetivo \u00e9 encontrar uma chave anal\u00edtica que permita construir uma caracteriza\u00e7\u00e3o mais totalizante, que passe pela governabilidade, e o fator social, pelas movimenta\u00e7\u00f5es da superestrutura a base da sociedade, [&hellip;]","og_url":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022","og_site_name":"Socialismo o Barbarie","article_published_time":"2015-05-24T16:41:06+00:00","article_modified_time":"2019-11-20T13:52:10+00:00","og_image":[{"width":286,"height":176,"url":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/dilma.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"SOB","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"SOB","Tiempo de lectura":"136 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022"},"author":{"name":"SOB","@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/#\/schema\/person\/bc1c3b321d47ed092405949c77e35a8e"},"headline":"Brasil: A crisis da hegemonia lulista","datePublished":"2015-05-24T16:41:06+00:00","dateModified":"2019-11-20T13:52:10+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022"},"wordCount":27142,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/dilma.jpg","keywords":["Antonio Soler","Revista SoB 29"],"articleSection":["Am\u00e9rica Latina","Brasil","Revista Socialismo o Barbarie"],"inLanguage":"es"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022","url":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022","name":"Brasil: A crisis da hegemonia lulista - Socialismo o Barbarie","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/dilma.jpg","datePublished":"2015-05-24T16:41:06+00:00","dateModified":"2019-11-20T13:52:10+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022#breadcrumb"},"inLanguage":"es","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022#primaryimage","url":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/dilma.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/dilma.jpg","width":286,"height":176},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?p=5022#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Portada","item":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Brasil: A crisis da hegemonia lulista"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/#website","url":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/","name":"Socialismo o Barbarie","description":"Sitio web de la corriente internacional Socialismo o Barbarie","publisher":{"@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"es"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/#organization","name":"Socialismo o Barbarie","url":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"es","@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/soblogoweb-2025.png","contentUrl":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/soblogoweb-2025.png","width":450,"height":161,"caption":"Socialismo o Barbarie"},"image":{"@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/#\/schema\/person\/bc1c3b321d47ed092405949c77e35a8e","name":"SOB","url":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/?author=8"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5022","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5022"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5022\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5024,"href":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5022\/revisions\/5024"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5023"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5022"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5022"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.socialismoobarbarie.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5022"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}